
A Honda Racing Corporation (HRC) vai lançar-se oficialmente no mercado da memorabilia desportiva, com um primeiro leilão de peças e motores históricos da Fórmula 1 agendado para agosto de 2025, durante a prestigiada Monterey Car Week, na Califórnia. Entre os artigos mais emblemáticos destaca-se o motor RA100E V10, que equipou o McLaren MP4/5B com que Ayrton Senna conquistou o seu segundo título mundial em 1990.
Este motor de 3.5 litros, com cerca de 710 cv, representa o auge da colaboração entre a Honda e a McLaren, uma era marcada pelo domínio técnico e competitivo da equipa na Fórmula 1. A HRC irá disponibilizar componentes individuais do motor, como pistões, árvores de cames e tampas de válvulas, todos devidamente certificados e apresentados em elegantes caixas de exposição.
Cada artigo será acompanhado por um certificado de autenticidade emitido pela própria HRC, garantindo a proveniência e legitimidade do espólio. O leilão incluirá ainda peças de edições limitadas, artigos de merchandising autografado e outros objectos raros que celebram o percurso da marca na categoria-rainha do automobilismo.

Preservar partilhando
Este projecto insere-se na estratégia da Honda de valorizar o seu legado competitivo sem comprometer a preservação museológica. A marca continuará a manter intactas as suas principais colecções, nomeadamente no Honda Collection Hall, em Motegi, e na Honda Racing Gallery, em Suzuka. Ambos os espaços apresentam modelos históricos em perfeito estado de funcionamento, do lendário RA272 de 1965 aos mais recentes Red Bull-Honda campeões do mundo.
O lançamento desta iniciativa permite à marca partilhar o seu património com entusiastas e coleccionadores de todo o mundo, oferecendo-lhes a possibilidade de adquirir elementos tangíveis da sua história.
Mais do que peças, fragmentos de história
Para além do motor RA100E, a HRC planeia leiloar, no futuro, artefactos provenientes da IndyCar e de competições de motociclismo, bem como peças de monolugares Honda das décadas de 1960 e 1970. Cada artigo será tratado com o mesmo rigor documental e apresentado de forma a valorizar o seu significado histórico.
Este tipo de iniciativa, embora comercial, revela uma rara sensibilidade: ao invés de encerrar o passado em vitrinas inacessíveis, a Honda escolhe partilhá-lo, e assim perpetuá-lo, não apenas na memória dos museus, mas nas mãos dos que mais o valorizam.
Artigo por Rui Reis
