
A Adega de Favaios tornou-se conhecida pelo seu Moscatel mas, no entanto, a sua produção de vinhos DOC Douro tem vindo a subir.
Actualmente, para além do vinho generoso feito com a uva Moscatel Galego (não confundir com a casta Moscatel Graúdo, utilizada no Moscatel de Setúbal), a adega também produz vinhos tranquilos, os DOC Douro, nomeadamente rosés, brancos, tintos e espumantes, destacando-se nesta tipologia a marca Casa Velha.
Um dos seus mais recentes lançamentos foi o Casa Velha Clarete 2024,um vinho tinto muito ao estilo moderno, leve, descomplexado, com exuberância de fruta e aberto de cor.
O clarete foi um tipo de vinho muito popular até meados do século passado mas que depois foi completamente destronado pelo rosé.
Já agora diga-se que o motivo da popularidade do clarete (um vinho tinto muito aberto de cor) se deve à Igreja Católica, que repudiava o vinho tinto carregado como sendo o sangue do diabo, enquanto o vinho branco e sobretudo o clarete era o sangue de Cristo. Aliás este repúdio pelos vinhos tintos já vinha do tempo dos romanos que o consideravam um vinho para consumo dos escravos e dos trabalhadores rurais menos qualificados. O gosto pelo vinho tinto só se começa a intensificar no primeiro quartel do século XIX, com a proliferação das tabernas nas cidades, nomeadamente em Lisboa.
Voltemos a Favaios e à Adega Cooperativa, onde a equipa de enologia, liderada por Miguel Ferreira, tem vindo aliás a realizar um conjunto de ensaios cujo objetivo é potenciar ao máximo as excelentes condições do Planalto de Favaios para a produção de vinhos brancos e não só.
Registe-se que a venda do Favaíto (Moscatel de Favaios engarrafado em pequenas unidades de 6 centilitros) atingiu o ano passado o número de 34 milhões de unidades vendidas!
Este clarete é um vinho que é feito a partir das uvas tintas do Planalto de Favaios (Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca), plantadas entre os 450 e os 600 metros de altitude, muito adaptadas para produzir vinhos mais leves e frescos, com pouca estrutura e muita fruta.
É obtido a partir de uma maceração parcial das uvas tintas e fermentação alcoólica em cubas de inox a uma temperatura de cerca de 20ºC. Estágio de 9 meses em cuba de inox.
Tonalidade rubi-claro, aberto, com notas de frutas vermelhas e toques de floresta e especiarias. Na boca apresenta-se com corpo leve, taninos muito suaves, elegantes e bastante frescura.
A enologia é da responsabilidade de Miguel Ferreira, Filipe Carvalho e Rodrigo Poço
PVP recomendado: 12 euros
