
Preço do cobre sobe para mais de 10.000 dólares por tonelada, um máximo desde 2022. Explicamos as razões energéticas que estão por trás deste movimento de alta.
O preço do cobre ultrapassou o nível de 10.000 dólares por tonelada no mercado londrino, um máximo em dois anos.
A que se deve este movimento?
Durante a valorização em alta do cobre na década de 2000, os preços aumentaram mais de cinco vezes em três anos, impulsionados na altura pela urbanização e industrialização na China.
Agora, a razão mais imediata desta valorização, que se vem registando desde o início do ano, coincide com a oferta que a empresa mineira australiana BHP Billiton, uma das maiores do mundo, apresentou para comprar a sua concorrente britânica Anglo American.
A oferta foi rejeitada pela Anglo American e a licitação dá razão aos dois lados: a BHP Billiton sabe que investir em cobre é uma aposta sólida e a Anglo American também sabe disso e refutou o negócio argumentando que o seu preço subestima o valor da empresa.
Mas, afinal, qual o motivo para o cobre estar a entrar numa fase de mais-valias?
Os analistas do Banca March, ouvidos pela agência de notícias Efe, afirmam que a procura crescente de cobre é uma das razões que levaram a BHP a apresentar a oferta, uma vez que a Anglo American possui minas em países como o Chile, a África do Sul, o Brasil e a Austrália.
Mas porquê mais cobre?
A procura crescente por cobre está associada à transição energética, pois o cobre é um dos metais mais procurados na transição para as energias limpas.
Isto porque a transição energética implica o aumento do peso da eletricidade na economia e, consequentemente, a expansão das redes de transporte elétricas.
Logo, o cobre desempenhará um papel importante neste processo porque é um dos melhores condutores de eletricidade.
Quanto é que está a valer o cobre?
Para a indústria, aceder a mais cobre é uma forma de ter controlo sobre uma matéria-prima decisiva na atualidade.
O mercado do cobre é essencialmente empresarial. Os preços têm apresentado boas valorizações anuais, tendo subido mais de 10 por cento no último ano, uma vez que as perturbações nas principais minas ameaçam a produção de metal refinado nas fábricas chinesas, que representam mais de metade do abastecimento mundial.
Convém percebermos de que valores estamos a falar. Para isso, usamos por comparação o valor do ouro que é o ativo “porto seguro” mais reconhecido e valorizado entre os investidores.
Uma grama de ouro vale cerca de €70. Um quilograma de ouro são 70 mil euros. Já uma libra de cobre (que corresponde a cerca de 450 gramas) vale cerca de €4. Ou seja, um quilo de cobre vale um pouco mais de €8.
São gigantescas as diferenças de valor entre o ouro e o cobre: era precisas cerca de 9 toneladas de cobre para termos o mesmo valor de um quilograma de ouro.
Mas cada um destes metais é um barómetro.
Assim, em tempos de dificuldades económicas e geopolíticas, o ouro tende a ter um bom desempenho, sendo visto como um indicador de medo do lado dos investidores.
O cobre é o oposto. Por ser um metal industrial fundamental, utilizado globalmente numa ampla gama de aplicações industriais, tem um forte desempenho quando a economia global está a “todo o gás”. É, pois, um indicador relevante da saúde económica global, sendo por isso, habitualmente conhecido como “Dr. Copper”.
E, neste caso, o “Dr. Copper”, mais do que falar da saúde económica global, mostra para onde está a caminhar a economia global: para uma sociedade descarbonizada, em que tudo o que está relacionado com eletricidade vai crescer exponencialmente, desde os veículos elétricos, à produção de energia descentralizada e renovável.
Num relatório recente, a Plenisfer Investments, que faz parte do ecossistema de investimento da Generali Investments, salientava, precisamente, que o investimento em ativos reais deve centrar-se em “matérias-primas essenciais para a transição energética, como o cobre ou o urânio”.
Mas há sempre uma volatilidade neste tipo de mercado que é preciso ter em conta.
Entre altos e baixos, tem havido uma tendência de crescimento. E o cobre está na maior alta dos últimos 15 meses. Os analistas do Citigroup Inc. anteveem um potencial para uma “subida explosiva dos preços” do cobre novamente nos próximos três anos.
Mas há outra ideia a reter: esta alta não se afigura como capaz de ser estável a longo prazo. Isto porque está a ser desenvolvido um trabalho contínuo sobre novos materiais condutores, e o principal material condutor de transmissão de energia no futuro (daqui a 15-20 anos), não será provavelmente o cobre.
Assim, no que diz respeito ao investimento, num horizonte de 3-7 anos poderá haver uma procura elevada de cobre.
Num cenário a 7-11 anos, os especialistas perspetivam poderem aparecer outros materiais condutores a tirarem a hegemonia do cobre, devido à sua superioridade em certas aplicações. Nessa altura, é provável que a procura global por cobre estagne. A 11-15 anos é provável que vejamos materiais alternativos ultrapassarem o cobre, devido ao seu custo mais baixo e melhor condutividade. Nesta fase, é provável que a procura do cobre diminua vertiginosamente.
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