
A Adega Cooperativa de Ponte da barca e Arcos de Valdevez lançou um vinho rosé feito com a casta Espadeiro.
Antes de darmos algumas dicas sobre esta casta não muito conhecida fora dos limites da Região dos Vinhos Verdes, diga-se que este Rosé Espadeiro, de cor rosa pálido, tem um aroma elegante marcado por notas de framboesa, morango silvestre, cereja e romã. Se o abrir com alguma antecedência poderão surgir sugestões florais ou minerais.
Na boca tem uma acidez fina e muita frescura, que apela a pratos da cozinha asiática, mariscos da nossa costa ou peixes grelhados, saboreados com calma na companhia de amigos.
A definição que a Barcos Wines (o nome agora adoptado pela Adega Cooperativa para facilitar os negócios internacionais) é interesante e divertida: “Tradicionalmente vinificado em bica aberta, o Espadeiro encanta pela cor, conquista pelo aroma e afirma-se pela leveza e precisão. Deve ser servido a uma temperatura entre os 8 e os 10º. Está tudo dito.
A enologia esteve a cargo de José Oliveira
A história da casta
O Espadeiro – ou Espadal, como é conhecido no Minho – foi durante décadas um segredo bem guardado da região dos Vinhos Verdes. Consumido localmente, entre produtores e vizinhos, raramente saía dos vales onde sempre se expressou melhor: Lima, Vez, Cávado, Ave e Tâmega.
Hoje, esse segredo começa a ganhar visibilidade. O mundo do vinho mudou e procura exatamente o que o Espadeiro sempre ofereceu: frescura natural, grau alcoólico moderado, elegância e uma identidade profundamente ligada ao território.
Espadeiro Rosé 2025
7€ | Álc. 11,5% | Acid. Tot. 6 g/l | pH ?| Açu. resid. 10 gr/l |? grfs
VINHO ROSÉ ESSE (QUASE) DESCONHECIDO!

Afinal o que é um vinho rosé? É um vinho intermédio entre o vinho tinto e o vinho branco que pode ser feito de, pelo menos, 4 maneiras diferentes, mas nunca pela mistura de vinho branco e vinho tinto, como ainda há muitas pessoas que julgam isso. Uma breve nota para esclarecer que há uma autorização especial para a mistura de vinhos brancos e tintos em fase terminal de fermentação: trata-se do Vinho Medieval de Ourém, autorizado pela Portaria n.º 167/2005, emanada do Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas publicada no Diário da República de 11 de fevereiro de 2005.
Voltemos ao verdadeiro rosé, um vinho que pode ser produzido a partir de mosto de castas de uva tintas e que também pode levar uma parte de mosto de uvas de castas brancas. (mosto, sempre mosto e nunca mosto fermentado, ou seja vinho).
Mas como se consegue fazer um vinho de uma cor tão pouco carregada (alguns até se podem confundir com brancos a uma observação menos avisada) a partir de uvas tintas? É fundamental saber que à excepção das uvas das casta tintureiras (em Portugal as principais são o Vinhão, Sousão ou Alicante Bouschet), a cor não está no sumo do bago, mas sim na sua pele. Por essa razão, a cor que o enólogo deseja depende apenas do tempo em que as cascas ficarem em contacto com o mosto.
Para os mais curiosos (interessados) aqui ficam resumidamente os quatro principais métodos do fabrico de vinhos Rosé.
Prensagem lenta
Após a vindima as uvas são prensadas de forma vagarosa e suave, não permitindo que as cascas se rompam e libertem demasiada cor para o mosto. Sugue-se a fermentação sem qualquer vestígio de engaço.
Maceração curta
A forma mais comum de se fazer rosés chama-se maceração curta (como é o caso do Espadeiro Rosé).
É igualmente feita uma prensagem suave de uvas tintas, no entanto o mosto fica muito pouco tempo em contacto com as cascas, afinal onde está a matéria corante.
Esse é o método utilizado na produção de grandes vinhos rosés franceses, como os das regiões de Provence e Languedoc-Roussillon. É também este o método mais utilizado em Portugal, sobretudo no Norte.
3. Método de corte ou blend
Na elaboração de vinhos, muitas vezes, é feita a mistura de mosto de mais de um tipo de uva, prática conhecida como corte, blend ou assemblage. Para fazer rosé, também é possível utilizar essa técnica.
Nesse caso, é misturada uma pequena parte de mosto de uvas tintas (cerca de 5%) em uma grande parte do líquido extraído de uvas brancas. É um método incomum, sendo mais utilizado na produção de alguns espumantes rosé.
4. Método sangria
Funciona da seguinte maneira: pouco tempo após prensagem das uvas, o produtor escorre e separa uma quantidade do líquido que ficou em contacto com as cascas. Essa parte, que tem uma coloração rosada, é levada para ser fermentada e dar origem a um vinho rosa.
O mosto que não foi escorrido continua o seu processo de fermentação para fazer um vinho tinto. Nesse caso, como há proporcionalmente maior quantidade de frutos e cascas em contacto com o mosto, esse vinho tinto ficará mais concentrado e encorpado.
É comum que os vinhos rosés feitos por esse processo sejam mais escuros e alcoólicos.
Essas são as quatro principais formas de produção de rosés. Como referimos na entrada nunca se faz um rosé pela mistura de vinho branco e vinho tinto mas também, como referimos há uma excepção em Portugal, o Medieval de Ourém, uma tradiçáo com cerca de 800 anos, iniciada pelo monges de Cister do Convento de Alcobaça.
Em termos de cor, as principais são Cobre, Salmão e Rosa e em termos de intensidade classifica-se a cor em Pálido, Médio e Intenso.
Neste momento a preferência dos consumidores vai para os Rosé Rosa Pálido, os chamados Rosé Provence.
Curiosidade sobre o vinho rosé
Os vinhos rosé são frescos e bastante versáteis, ao contrário do que ainda é uma ideia que circula em Portugal. No entanto, cada vez mais os rosé portugueses subiram de qualidade, conquistando novos consumidores, que no mercado interno, quer na exportação.
Origem histórica
Os vinhos de cor clara, aberta, Brancos, o que hoje chamamos Rosé e Palhete, têm uma tradição de milhares de anos. Na Grécia e em Roma adicionava-se água ao vinho sendo que os tintos eram apenas bebidos pelos escravos e pelos trabalhadores mais indiferenciados. A Igreja Cristã pegou nessa tradição romana – como afinal em tantas outras coisas – e propagou a ideia de que o vinho tinto era o sangue do diabo, sendo os vinhos clarinhos o sangue de Cristo.
Em Portugal, até ao primeiro quartel do século XIX o vinho Branco foi sempre mais consumido do que o Tinto. A inversão dá-se no final do primeiro quartel do século XIX, primeiro porque os soldados franceses nas invasões napoleónicas faziam política de “terra queimada”, arrancando vinhas e árvores e incendiando o que podiam na sua passagem. Depois vieram as pragas, o míldio, o oídio e a filoxera que acabaram por obrigar a um novo plantio da vinha. O crescimento exponencial das tabernas nas grandes cidades, Lisboa e Porto, à cabeça , fizeram com que o vinho tinto ganhasse ao vinho branco. Agora estamos numa situação de grande crescimento dos vinhos brancos (e rosés)…
Popularidade e crescimento no mercado
A popularidade dos vinhos rosados aumentou nos últimos anos. Na Europa, antes era conhecida como uma bebida barata de verão, e passou a ter mais prestígio e contar com aumento nas vendas. Segundo dados revelados pela sommelier brasileira Flávia Maia, a França consome 35% da produção mundial, de acordo com o Conseil Interprofessionnel des Vins de Provence, seguido dos alemães (15%) e dos Estados Unidos (10%).
O crescimento do consumo vem de um trabalho realizado há três décadas na região de Provence, onde houve uma transformação na qualidade do vinho e dos vinhedos para melhor produção das uvas e elaboração dos vinhos.
No Brasil, também é possível ver esse aumento. As importações cresceram 270% de 2019 para 2022. De 9 milhões de garrafas de vinhos rosados para 24 milhões.
