
A NBI, consultora especializada na valorização do capital natural, acaba de lançar a Radici, uma plataforma digital que traduz dados científicos em decisões práticas sobre o território. A proposta é escolher a espécie certa no local certo pode fazer a diferença entre um território mais resiliente ou mais vulnerável a fenómenos climáticos extremos.
As tempestades que atingiram Portugal no início de 2026 expuseram fragilidades estruturais, desde cheias a deslizamentos de terra, mostrando que algumas das escolhas feitas no terreno, incluindo o que se planta, podem agravar riscos em vez de os mitigar. A Radici surge precisamente como resposta a esse problema, ao permitir avaliar, de forma gratuita, que espécies estão melhor adaptadas a cada localização específica.
A plataforma funciona como uma webApp de acesso aberto e intuitivo. Basta selecionar um distrito, concelho ou freguesia para obter uma lista de espécies autóctones, conhecer as suas características ecológicas e perceber o seu grau de resiliência face a fenómenos extremos. Na prática, responde a uma questão direta: faz sentido plantar esta árvore aqui?
Espécies adequadas ao solo e ao clima ajudam a fixar terrenos, reduzir o risco de cheias, resistir melhor a períodos de seca e até limitar a propagação de incêndios. O inverso também é verdadeiro: plantar sem critério pode amplificar problemas e aumentar custos no médio prazo.
O nome da plataforma tem um significado: Radici, de origem latina, remete para “raiz”, aquilo que sustenta e fixa. A ideia de reconstrução a partir da base está no centro do projeto, que aposta na valorização de espécies autóctones e na adaptação às condições locais.
Segundo Nuno Gaspar de Oliveira, CEO da NBI: “Temos o conhecimento e sentimos a responsabilidade de partilhar este conhecimento. A Radici é a nossa forma de contribuir para que todos tenham acesso à informação necessária para tomar decisões fundamentadas sobre o que plantar em determinada localização, cuidando melhor do território e reforçando a sua resiliência.”
A ambição passa por chegar a diferentes perfis de utilizadores. Municípios podem usar a plataforma no planeamento urbano e na definição de estratégias de infraestrutura verde. Empresas encontram aqui uma base de apoio para projetos e candidaturas a financiamento, incluindo no âmbito de políticas europeias de restauro da natureza. E particulares podem, de forma simples, fazer escolhas mais informadas nos seus próprios terrenos.
