
A Confraria do Periquita realizou, no passado domingo, em Azeitão, o seu 26.º Grande Capítulo. A cerimónia decorreu numa data simbólica, marcada pela celebração dos 222 anos do nascimento de José Maria da Fonseca e dos 176 anos do Periquita.
A Casa-Museu José Maria da Fonseca acolheu, uma vez mais, para cima de uma centena de confrades e embaixadores da mais antiga marca portuguesa de vinho de mesa, numa ocasião em que foram ainda entronizados 25 novos membros, entre Confrades e Confreiras de diferentes nacionalidades.
Na Adega dos Teares Novos, decorreu um jantar num ambiente distintivo, envolvente e intimista, onde marcaram presença confrades vindos de vários cantos do mundo, entre os quais Suécia, Estados Unidos da América, Canadá, Brasil, Noruega e Luxemburgo.
No discurso de abertura, António Soares Franco, presidente do Conselho de Administração da José Maria da Fonseca e representante da sexta geração da família, sublinhou o valor histórico e emblemático do Periquita. Destacou ainda que a marca representa muito mais do que um vinho, sendo um reflexo da visão de José Maria da Fonseca, da forte ligação a Azeitão e à Península de Setúbal, bem como da capacidade da empresa em acompanhar a evolução dos tempos sem abdicar da sua identidade.
António Soares Franco, sublinhou também, no seu discurso, a importância histórica, simbólica e emocional da marca Periquita, destacando o seu papel enquanto um dos grandes pilares da identidade da casa e uma referência no panorama do vinho português. No mesmo contexto, afirmou que “o Periquita deve honrar o seu passado, mas deve também falar com o presente e preparar-se para o futuro”, reforçando a ideia de continuidade entre tradição e inovação. Destacou ainda que “o trabalho desenvolvido em torno da marca, desde a vinha à enologia e à comercialização, tem sido determinante para consolidar esse posicionamento, permitindo que o Periquita mantenha a sua relevância junto de diferentes gerações de consumidores e que continue a afirmar-se em novos mercados, com uma imagem renovada e um perfil de vinho cada vez mais apreciado pela sua autenticidade e ligação ao território.”
Com o Primeiro Capítulo realizado a 31 de maio de 1993, a Confraria do Periquita reúne-se atualmente em anos pares, sempre na mesma data e local, com o objetivo de “promover o prestígio e a tradição do vinho do mesmo nome, divulgar as suas características singulares de aromas e sabores e proporcionar momentos de glória a todos os seus apreciadores”.
A Confraria conta atualmente com 225 membros entronizados, integrando personalidades nacionais e internacionais de diferentes áreas da sociedade, entre as quais a apresentadora brasileira Ana Maria Braga, a cantora Fafá de Belém, o ator Ricardo Pereira, a chef Marlene Vieira, o Chef João Sá, premiado com uma estrela Michelin, o Chef Rui Paula e o falecido antigo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio.
Mais do que Confrades e Confreiras, representam uma rede de embaixadores do Periquita no mundo, unidos pela missão de preservar, promover e projetar o legado de um dos vinhos mais icónicos de Portugal, levando o nome de Azeitão e a história do Periquita a novas gerações, mercados e culturas.
O vinho Periquita é conhecido como o primeiro vinho tinto engarrafado em Portugal, corria o ano de 1850, quatro anos depois do início da própria história da José Maria da Fonseca, quando o fundador da empresa, José Maria da Fonseca comprou, por volta de 1846, a propriedade Cova da Periquita. Foi nessa propriedade, que José Maria da Fonseca plantou as primeiras uvas da casta Castelão, que ele próprio havia trazido, muito provavelmente, da província do Ribatejo. O vinho produzido na Cova da Periquita desde logo provou ser o melhor da região dando origem a que os outros proprietários pedissem a José Maria da Fonseca varas daquela casta para plantarem nas suas próprias propriedades. Desta forma, o vinho tornou-se conhecido em Azeitão como o vinho da Periquita, passando a ser comercializado pela José Maria da Fonseca como Periquita. Embora não possa ser avançada com exatidão a data em que a primeira colheita foi produzida, é, porém, certo que o Periquita já estava a ser produzido em 1850, tendo a colheita de 1886 recebido a medalha de ouro na Exposição de Vinhos de Berlim em 1888. José Maria da Fonseca registou a marca Periquita em 1941. Por este motivo, o Periquita é na atualidade a mais antiga marca portuguesa de vinho de mesa comercializada tendo adquirido, ao longo do tempo, uma crescente popularidade em Portugal e uma considerável notoriedade em mercados na Suécia, Brasil, Reino Unido, Estados Unidos da América, Canadá, Dinamarca e Noruega.
Fundada em 1834, a José Maria da Fonseca celebrou em 2024 o seu 190º aniversário. No ano em que comemorou 190 anos, a produtora decidiu renovar a imagem corporativa com um logótipo e uma nova assinatura, alusiva à data. A José Maria da Fonseca é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos em Portugal, estando as respetivas marcas presentes em mais de 70 países. Ao longo dos anos a demonstrar uma crescente preocupação face aos fatores ambientais, a José Maria da Fonseca orgulha-se de utilizar as melhores práticas no tratamento da vinha, na gestão dos recursos naturais, na sua preservação e conservação, tendo sido a primeira empresa certificada no sector viticultor com as normas ambientais ISO 14001. No final de 2021, a José Maria da Fonseca apostou na instalação de um sistema solar fotovoltaico para autoconsumo e concluiu com sucesso a sua certificação em sustentabilidade, segundo o referencial FAIR’N GREEN, sendo o primeiro produtor de vinho português a obter esta certificação em sustentabilidade, após uma análise e consultoria detalhadas e exigentes. O portefólio da José Maria da Fonseca engloba mais de sessenta marcas, representativas das principais regiões vitivinícolas nacionais: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes. Este sucesso decorre do enorme investimento humano e material, e de uma constante capacidade de renovação por parte da José Maria da Fonseca que, ao longo da sua história, tem sabido preservar uma herança preciosa sem descurar a modernização, correspondendo aos padrões de exigência que os consumidores dela esperam e surpreendendo a cada passo. A José Maria da Fonseca é, desde a sua génese, uma empresa 100% familiar, atualmente gerida pela 7º geração.
