
A associação ambientalista Zero alertou esta semana que a poluição atmosférica é uma das principais causas de morte prematura no mundo, matando mais do que o tabaco. Segundo a Zero, dados da Agência Europeia do Ambiente indicam que, em 2023, morreram prematuramente na Europa cerca de 279 mil pessoas devido à exposição a poluição do ar por partículas finas PM2,5, ozono (O₃) e dióxido de azoto (NO₂).
A associação sublinha que grande parte destas mortes poderia ser evitada se os valores-guia da Organização Mundial da Saúde (OMS) fossem cumpridos.
Em Portugal: 4.200 mortes por ano, 12 por dia
A Zero aponta também para a dimensão nacional do problema. Em Portugal, a exposição a PM2,5, NO₂ e O₃ estará associada a cerca de 4.200 mortes prematuras por ano. Na prática, significa uma média de 12 portugueses por dia.
A morte causada pela poluição não tem, na maioria dos casos, uma “assinatura” imediata. Não acontece num momento específico. Acontece ao longo do tempo.
O que a poluição faz ao corpo
Quando se fala de poluição do ar, muita gente ainda pensa em irritação na garganta, olhos a arder ou alergias. Mas a Zero lembra que o impacto vai muito além disso.
A poluição atmosférica está associada a um vasto conjunto de doenças, com destaque para: acidentes vasculares cerebrais (AVC), doenças cardíacas, cancro do pulmão, diabetes, asma e demência. Ou seja: não é apenas um problema respiratório. É um problema sistémico.
Crianças e adolescentes: o impacto começa antes de nascer
Um dos pontos mais fortes do alerta da Zero é o impacto nos mais novos. A associação sublinha que o efeito nas crianças e adolescentes é “particularmente alarmante”, uma vez que a exposição começa ainda antes do nascimento.
A OMS, recorda a Zero, defende que é fundamental garantir que escolas e parques infantis não estejam expostos a grandes fontes de poluição do ar, sobretudo o tráfego rodoviário. Isto levanta uma pergunta incómoda: quantas escolas em Portugal estão encostadas a avenidas cheias de trânsito?
A fatura invisível
A Zero sublinha ainda que a má qualidade do ar não é apenas um problema de saúde pública. É também um custo significativo para o país, com impacto em despesas acrescidas para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), perda de produtividade e perda de autonomia antecipada.
E há um dado particularmente relevante citado pela associação: a Comissão Europeia refere que as consequências da má qualidade do ar são quatro vezes mais dispendiosas do que os custos associados à implementação de políticas de combate à poluição atmosférica. Ou seja: não agir sai mais caro do que agir.
O trânsito automóvel
A Zero aponta de forma direta para a principal fonte de poluição do ar nas cidades, em particular no caso do NO₂: o trânsito automóvel. E a associação defende que as soluções são amplamente conhecidas. O foco, diz a Zero, deve estar na redução do tráfego rodoviário de veículos a combustão.
