Os especialistas alertam que os primeiros sinais de perda de força podem ser subtis e passar despercebidos no dia a dia
A perda de força muscular é um processo que, muitas vezes, evolui silenciosamente. Nem sempre se manifesta através de quedas ou incapacidade evidente, mas sim através de pequenas mudanças na rotina diária que tendem a passar despercebidas. Em pessoas idosas, identificar estes sinais a tempo é fundamental para prevenir lesões e manter a autonomia.
“Quando falamos de fragilidade muscular, não nos referimos apenas à incapacidade de levantar peso. Existem sinais mais subtis, como a dificuldade em abrir um frasco, levantar-se de uma cadeira sem apoio ou subir um lanço de escadas. Estes gestos quotidianos são um termómetro muito útil do estado da musculatura”, afirma Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores, empresa ibérica pertencente à seguradora BUPA.
Estar atento a estes sinais pode fazer a diferença entre manter uma vida independente ou entrar num ciclo de inatividade e perda funcional. A fragilidade muscular aumenta o risco de quedas, fraturas e outras complicações de saúde, podendo também afetar o bem-estar emocional, gerando insegurança e medo de se movimentar. Algumas mudanças físicas e funcionais às quais se deve prestar atenção:
· Menor capacidade para realizar tarefas habituais: demorar mais tempo para se vestir, cozinhar ou cuidar da higiene pessoal pode indicar o início de uma perda de força muscular;
· Alterações na postura ou na marcha: caminhar com passos mais curtos, arrastar os pés ou apresentar perda de equilíbrio;
· Fadiga excessiva após pequenos esforços: necessidade de descansar após atividades que anteriormente não exigiam esforço, como um passeio curto;
· Perda visível de massa muscular: braços ou pernas mais finas, com menor tonacidade e firmeza.
“Nas consultas, observamos frequentemente pacientes que procuram ajuda devido a dores ou quedas, mas, ao examiná-los, percebemos que por detrás esta uma perda progressiva de força. Detetar este processo de forma precoce permite-nos recomendar programas de exercício, fisioterapia ou mudanças na alimentação, que podem reverter significativamente essa situação”, explica Gabriela G. Carías Granados, médica geriatra do Hospital Universitário Sanitas La Moraleja.
Perante este cenário, os especialistas da Sanitas Mayores elaboraram uma lista de recomendações para preservar a força muscular na idade adulta:
· Manter uma atividade física regular: além de caminhar, nadar ou realizar pequenos exercícios de resistência, é importante integrar o movimento na rotina diária de forma constante, já que a regularidade é o fator que mais benefícios traz à musculatura e ao sistema cardiovascular;
· Treino adaptado: é aconselhável seguir programas personalizados, que incluam exercícios de força supervisionados e progressivos, utilizando bandas elásticas, pesos leves ou o próprio peso corporal, de forma a estimular a musculatura sem risco de lesões;
· Cuidar da alimentação: a dieta tem um papel essencial; é importante assegurar um nível suficiente de proteínas de qualidade, bem como nutrientes como a vitamina D, que contribuem para manter a massa muscular e a saúde óssea, especialmente nas fases de envelhecimento;
· Consultas médicas periódicas: procurar um especialista não apenas perante dor ou problemas evidentes, mas também quando surgem dificuldades ao mover-se, alterações na resistência física ou fadiga inesperada, pode ser determinante para identificar precocemente sinais de fragilidade muscular.
