
Num contexto de subida global das temperaturas devido às alterações climáticas, Relatório Global Cooling Watch 2025, apresentado pela ONU na COP30, fala de soluções de arrefecimento que não representam o aumento de emissões.
O mundo está a aquecer e o impacto já não se mede apenas em números, mas em vidas. As Nações Unidas lembram que as ondas de calor são hoje os eventos climáticos mais mortais e que, à medida que as cidades crescem, a desigualdade no acesso à refrigeração também aumenta. O relatório Global Cooling Watch 2025, apresentado na COP30, procura precisamente responder a uma pergunta essencial: como garantir arrefecimento sem agravar a crise climática?
A ONU estima que mais de mil milhões de pessoas já vivem sem acesso adequado a refrigeração. Sem novas medidas, esse número pode triplicar até 2050. E os mais vulneráveis – desde idosos a trabalhadores expostos ao exterior – enfrentam riscos muito mais elevados de doenças e mortes associadas ao calor extremo. O aumento da procura energética durante as ondas de calor transforma ainda falhas da rede elétrica em perigos reais para a saúde pública.
O relatório explica que a resposta não está apenas em mais aparelhos de ar condicionado, mas numa mudança de lógica: começar pelo arrefecimento passivo. Isto significa construir e adaptar espaços para que necessitem de menos energia para se manterem frescos. Telhados verdes, mais sombra urbana, melhor isolamento, superfícies que refletem o calor e ventilação natural são algumas das soluções que podem reduzir significativamente a temperatura interior sem recurso imediato a sistemas mecânicos.
Depois, surgem as tecnologias híbridas e de baixo consumo. Ventiladores combinados com ar condicionado podem reduzir o uso de energia em cerca de 30%. Refrigeradores evaporativos ou equipamentos alimentados a energia solar tornam-se alternativas viáveis para regiões de baixos rendimentos ou zonas sem ligação estável à rede elétrica.
Estas soluções são importantes por duas razões. Primeiro, porque reduzem emissões – até 64% face ao cenário atual, segundo a ONU. Segundo, porque ampliam o acesso à refrigeração para cerca de três mil milhões de pessoas que, até 2050, poderão precisar de proteção contra o calor extremo e não a terão se nada for feito.
A ONU defende que o arrefecimento deve ser tratado como infraestrutura essencial, o que implica políticas públicas mais robustas. Hoje, apenas 54 países têm estratégias completas nesta área, e poucos exigem medidas passivas nos códigos de construção. O relatório alerta que esta é a ferramenta mais eficaz para garantir conforto térmico sem aumentar a dependência de sistemas mecânicos.
Ao lançar o Global Cooling Watch 2025, a ONU quer capacitar cidades para identificar vulnerabilidades, planear melhor os espaços e adotar tecnologias de arrefecimento com impacto real no bem-estar das populações. A mensagem central é clara: o futuro do arrefecimento depende de soluções inteligentes, acessíveis e sustentáveis, capazes de proteger as pessoas e o planeta ao mesmo tempo.