
2025 marca o centenário da designação “Super Sports” na Bentley, usada pela primeira vez num modelo que, à época, se tornou o primeiro da marca a superar as 100 mph.
Cem anos depois, a mesma filosofia volta a emergir, mas com uma nova leitura: mais leve, mais visceral, mais centrada no prazer de condução.
O novo Supersports é o primeiro Continental GT com tração traseira, dois lugares e um peso inferior a duas toneladas. Uma fórmula inédita num Bentley moderno.
Desempenho sem filtros
Numa era de transição para híbridos e elétricos, a Bentley opta, de forma deliberada, por um V8 biturbo de 4,0 litros sem qualquer forma de eletrificação. São 666 cv e 800 Nm, geridos por uma caixa ZF de dupla embraiagem com oito relações e entregues exclusivamente ao eixo traseiro.
Este é, em essência, um Bentley purista, um regresso à alma dos grandes GTs. A aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em cerca de 3,7 segundos, e a velocidade máxima deverá rondar os 310 km/h.
Mais do que os números, porém, é o carácter do conjunto que importa. O novo sistema de escape em titânio da Akrapovič, exclusivo deste modelo, dá voz ao V8 com uma sonoridade encorpada, orgânica, sem artifícios eletrónicos.

Chassis transformado, comportamento revelado
A estrutura foi profundamente revista. O Supersports utiliza vias alargadas, diferencial eletrónico autoblocante e direção traseira, numa arquitetura que privilegia a precisão e o equilíbrio. Pela primeira vez, um Continental GT é capaz de gerar até 1,3 g de força lateral.
O sistema de suspensão recorre a triângulos duplos à frente, multibraços atrás, molas pneumáticas e novos amortecedores com controlo independente em compressão e extensão.
O sistema anti-rolamento ativo de 48V, já conhecido da Bentley, aplica até 1300 Nm em frações de segundo, assegurando estabilidade em curva.
A travagem fica a cargo do maior sistema de travagem automóvel do mundo: discos em carbono-cerâmica de 440 mm à frente com pinças de 10 pistões.
Forma segue função: a aerodinâmica como protagonista
A silhueta do Supersports é imponente e funcional. Um novo splitter frontal, difusor traseiro, dive planes, saias laterais, lâminas nos guarda-lamas e uma asa traseira fixa (todos em fibra de carbono) compõem o pacote aerodinâmico mais agressivo de sempre num Bentley de estrada. No total, são mais de 300 kg de força descendente adicional face ao GT Speed.
A redução de peso estende-se ao tejadilho, também em carbono, e à remoção da segunda fila de bancos. Vários sistemas de assistência foram suprimidos em nome da leveza. Com menos de 2000 kg, este é o Bentley mais leve desde a década de 1940.
Interior: performance com assinatura
O habitáculo reflete o novo posicionamento. Apenas dois lugares, bancos ultraleves com apoio lateral reforçado, revestimentos em fibra de carbono e Dinamica, e um novo layout interior mais baixo e envolvente. As opções de personalização são vastas: 22 cores principais de pele, 11 secundárias e nove de acento, com acabamentos exclusivos, do Dark Chrome ao alumínio texturado.
O toque final é dado pela placa numerada individualmente e pelos temas de design desenvolvidos pela Bentley, como o “Nightfall” ou o “Daybreak”, revelado no lançamento mundial em Nova Iorque.
Exclusivo, pessoal, colecionável
Serão apenas 500 unidades, todas numeradas, todas personalizáveis. A produção arranca no final de 2026, com entregas previstas para o início de 2027. Estará disponível na Europa, EUA, Canadá, Austrália, Emirados Árabes Unidos e outros mercados selecionados.
O Supersports é, muito possivelmente, o Bentley mais importante da última década. Não por ser o mais potente ou o mais rápido, embora não fique longe,, mas por representar uma afirmação de identidade. Num tempo em que a condução está a ser diluída em algoritmos, o Supersports é um Bentley com alma de condutor. E isso, em 2025, é mais do que uma raridade: é uma declaração.
Artigo por Rui Reis


