Bastam alguns quilómetros ao volante da nova Volkswagen ID.7 Tourer GTX para perceber que esta não é apenas mais uma carrinha. É um daqueles automóveis que faz tudo bem e que o faz de forma subtil. Junta a versatilidade de um familiar, o desempenho de um elétrico com tração integral e o conforto de um verdadeiro estradista. E fá-lo sem complicações nem artifícios, o que hoje em dia é quase uma raridade.
A versão que conduzimos, com pintura Prata Scale e tejadilho preto, vinha equipada até ao limite: tejadilho panorâmico, jantes de 20 polegadas, bancos com massagem, câmaras 360 graus, faróis LED Matrix e um sistema multimédia com ecrã de 15 polegadas. O ambiente a bordo é limpo, arejado e bem isolado. Tudo o que se espera de um carro moderno está lá — mas apresentado com simplicidade. Sem exageros.
Com 340 cavalos de potência (250 kW), dois motores elétricos e tração às quatro rodas, esta GTX responde com força sempre que se pede. Chega dos 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos e oferece uma estabilidade impressionante mesmo a ritmos mais elevados. Mas não é um carro para andar em modo ataque. O que faz melhor é deslizar pela estrada com aquela sensação de controlo total e de conforto pleno. O novo sistema de gestão dinâmica conjuga suspensão ativa, vectorização de binário e distribuição inteligente de potência entre eixos para garantir que tudo flui. E flui mesmo.

A bagageira oferece 605 litros com os bancos no lugar e pode chegar aos 1714 litros com tudo rebatido. O acesso é fácil, há fundo duplo, cobertura retrátil de arrumação prática e abertura elétrica com sensor de pé. Não é o mais espaçoso do segmento, mas é, provavelmente, o mais bem resolvido. E com um piso plano e compartimentos bem pensados, é daqueles espaços que se usam mesmo no dia-a-dia.
O interior convence pelos detalhes certos. Os bancos dianteiros, com regulação elétrica, aquecimento e massagem, são um convite às longas distâncias. O tejadilho panorâmico com escurecimento eletrónico reforça a sensação de espaço, e atrás há lugar de sobra para pernas e cabeça. A insonorização é exemplar, e até em piso degradado a suspensão consegue absorver tudo com serenidade.
A autonomia oficial é de 577 km, mas em uso real, com condução equilibrada e algum troço em autoestrada, conseguimos médias na casa dos 20 kWh/100 km. Traduzindo: entre 400 e 450 km de alcance, dependendo do ritmo. Um valor honesto para uma carrinha com este peso (mais de 2,3 toneladas) e esta potência. O carregamento rápido até 200 kW permite ir de 10 a 80% em cerca de meia hora, o que viabiliza viagens longas sem dramas.

A condução em cidade é facilitada por sistemas como o “Travel Assist” e o “Park Assist Pro” com função de memória, útil, por exemplo, para estacionar sozinho em locais apertados. E se os sistemas de assistência à condução forem demasiado interventivos, desligam-se facilmente. Sem menus labirínticos nem dramas.
O preço desta unidade ronda os 72.850 euros, o que coloca esta Tourer GTX no patamar das propostas premium alemãs. E não há como contornar isso: é um valor elevado. Mas também é verdade que este é, de longe, o Volkswagen mais avançado do momento. E talvez o mais completo.
A ID.7 Tourer GTX não quer ser um carro desportivo, nem precisa. É uma carrinha rápida, confortável, elétrica e familiar. Uma resposta clara a quem quer fugir dos SUV sem abdicar de espaço, tecnologia e desempenho. Uma proposta que faz sentido e que, sem fazer muito barulho, marca uma posição forte no presente e no futuro da marca.
Artigo por Rui Reis

