
O que o novo Leapmotor B03X propõe é muito pragmático, ser um crossover urbano elétrico, de dimensões contidas, com autonomia suficiente para a maioria das rotinas, carregamentos rápidos e preços que entram diretamente no território onde muitos clientes ainda fazem contas à vida antes de aderirem à mobilidade elétrica.
O B03X chega ao mercado português em duas versões. A LIFE, equipada com bateria PRO de 39,8 kWh, custa 24.285 euros. A versão DESIGN, com bateria PROMAX de 53,0 kWh, sobe para 28.285 euros. Para clientes particulares, há preços de campanha de lançamento: 22.345 euros para o B03X LIFE e 26.025 euros para o B03X DESIGN, valores aos quais acrescem as despesas de legalização e transporte.
Com 4,27 metros de comprimento, 1,81 metros de largura, 1,635 metros de altura e 2,605 metros de distância entre eixos, o B03X não é um citadino no sentido clássico, mas também não cai no excesso de muitos SUV compactos que já cresceram para lá da sua missão original. A posição de condução elevada e a carroçaria de crossover respondem ao gosto atual do mercado, enquanto as dimensões continuam suficientemente controladas para o uso urbano. 
Compacto, mas espaçoso
A Leapmotor aposta, sobretudo, na eficiência de embalagem. A arquitetura elétrica dedicada permite libertar espaço interior e a marca sublinha a existência de bancos flexíveis, piso de carga plano e várias soluções de arrumação. Sem contacto direto com o modelo, convém manter alguma prudência: espaço anunciado e espaço vivido nem sempre são exatamente a mesma coisa. Ainda assim, os números exteriores e a distância entre eixos sugerem uma proposta com margem para cumprir bem o papel de primeiro carro de uma pequena família ou de automóvel principal para quem vive em ambiente urbano e suburbano.
No interior, a receita segue a linguagem atual da indústria: habitáculo minimalista, forte presença digital e menos comandos físicos. O B03X integra o Leap OS 4.0, com conectividade, integração com smartphone e controlo remoto de funções do veículo. É uma abordagem coerente com o posicionamento tecnológico da marca, embora fique a pergunta que só a utilização diária poderá responder: até que ponto a simplicidade visual se traduz também em simplicidade funcional? Num automóvel de uso quotidiano, a tecnologia só é verdadeiramente boa quando não obriga o condutor a pensar demasiado nela.

A base técnica é um dos pontos mais relevantes do novo B03X. A marca anuncia um sistema de bateria CTC2.0 Plus, ou Cell-to-Chassis, solução que integra a bateria na estrutura do veículo para melhorar o aproveitamento de espaço e a eficiência. As duas baterias são LFP, química conhecida pela robustez, pela estabilidade térmica e por dispensar materiais como cobalto e níquel em maior escala. A versão de 39,8 kWh anuncia até 292 km de autonomia WLTP; a de 53,0 kWh chega aos 382 km WLTP.
Outro argumento forte é o carregamento. A Leapmotor anuncia capacidade de carregamento rápido de 2,5C, permitindo passar de 30% a 80% em cerca de 16 minutos em corrente contínua. Como sempre, este número depende de condições ideais: potência disponível no posto, temperatura da bateria, estado de carga e curva de carregamento. Ainda assim, se o desempenho se confirmar na prática, é um valor competitivo para um elétrico deste preço e desta dimensão.

197 cv de potência
Em termos de desempenho, o B03X não entra na corrida absurda dos números que durante anos marcou a comunicação de muitos elétricos. Tem um motor dianteiro com 197 cv, ou 145 kW, e 200 Nm de binário. A tração é dianteira, a velocidade máxima está fixada nos 160 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 8,6 segundos. Nada disto é espetacular, mas tudo parece ajustado. Para cidade, vias rápidas e utilização familiar, a ficha técnica não deixa sensação de submotorização.
A gama é deliberadamente simples: LIFE e DESIGN. Esta clareza é bem-vinda num mercado onde, demasiadas vezes, a configuração de um automóvel exige mais paciência do que a escolha da própria casa. Falta conhecer em detalhe o equipamento de série de cada versão em Portugal, ponto essencial para avaliar a verdadeira competitividade da proposta. O preço de entrada é apelativo, mas o valor final dependerá sempre do que está incluído, embora seja de esperar uma oferta de equipamento generosa.
Artigo por Rui Reis
