
O BYD Dolphin G DM-i chega ao segmento B com uma proposta pouco habitual: dimensões compactas, espaço de utilização familiar e uma arquitetura híbrida plug-in pensada para funcionar, sempre que possível, como um elétrico. Mede 4,16 metros de comprimento, anuncia até 105 km de autonomia em modo 100% elétrico e recorre à tecnologia Super Híbrida DM 5.0 da marca chinesa, que privilegia a tração elétrica na utilização diária.
Em Portugal, o BYD Dolphin G DM-i já está disponível em cinco cores exteriores: Skiing White, Time Grey, Obsidian Black, Ocean Blue e Orange Sunset. O interior é proposto em Black. O preço anunciado começa nos 24 385 euros mais IVA para a versão Boost, no âmbito da campanha em vigor até 31 de julho de 2026. Durante este mês de julho, a marca oferece ainda manutenção por dois anos ou 30 000 km.
A BYD não se limitou a instalar uma bateria num utilitário para baixar consumos homologados. O Dolphin G DM-i foi concebido em torno de uma lógica muito concreta: permitir deslocações quotidianas sem recurso ao motor a gasolina, manter consumos reduzidos quando é carregado com regularidade e oferecer autonomia suficiente para viagens mais longas. Com a bateria carregada e o depósito cheio, a marca anuncia até 1040 km de autonomia total.

A base técnica é a tecnologia DM 5.0 da BYD. Ao contrário de muitos híbridos plug-in convencionais, nos quais o motor elétrico surge sobretudo como apoio ao motor térmico, este sistema foi desenvolvido para dar prioridade ao modo elétrico. Em condições normais, o motor elétrico assume a tração, enquanto o motor a gasolina de 1,5 litros trabalha de forma complementar, seja para ajudar à tração, seja para alimentar o gerador e manter a bateria dentro da janela ideal de funcionamento.
Dual Mode Intelligence
A sigla DM-i significa “Dual Mode Intelligence”, mas a explicação simples esconde uma gestão energética bastante mais complexa. O sistema combina um motor elétrico de tração, um motor-gerador, um motor de combustão e uma unidade de controlo que decide, em permanência, a forma mais eficiente de distribuir a energia. O condutor pode escolher entre modo elétrico e modo híbrido, mas é a eletrónica que gere as diferentes combinações possíveis em função da carga da bateria, da velocidade, da aceleração pedida e das condições de condução.
Na prática, o motor elétrico síncrono de ímanes permanentes entrega 163 cv e 210 Nm. A BYD anuncia 8,3 segundos dos 0 aos 100 km/h, um valor que coloca este Dolphin G DM-i acima da expectativa habitual para muitos modelos compactos de vocação familiar. Mais do que o número isolado, interessa a forma como essa potência é disponibilizada. A resposta imediata do motor elétrico deverá tornar a condução mais fluida em cidade, mais confortável em trânsito e suficientemente expedita em estrada.

A bateria Blade tem 18,3 kWh nas versões Boost e Comfort. É esta bateria que permite os 105 km anunciados em modo elétrico, valor que, a confirmar-se numa utilização próxima da homologação, poderá cobrir a maioria dos trajetos diários sem consumo de gasolina. A BYD declara ainda um consumo ponderado de 1,4 l/100 km e emissões de CO₂ de 32 g/km. Como em qualquer híbrido plug-in, estes números exigem contexto: fazem sentido para quem carrega o automóvel com frequência. Sem essa disciplina, o consumo real será inevitavelmente diferente.
Carregamento DC de 39 kW
O carregamento também merece referência. Em corrente alternada, a potência máxima é de 6,6 kW. Em corrente contínua, o Dolphin G DM-i aceita até 39 kW, permitindo carregar a bateria de 10% a 80% em 26 minutos, segundo os dados da marca. Não são valores comparáveis aos dos elétricos puros mais rápidos, mas são relevantes num híbrido plug-in deste segmento e reforçam a ideia de que este modelo foi pensado para ser usado regularmente em modo elétrico, não apenas como solução de compromisso.
O design segue a linguagem inspirada no oceano que a BYD tem vindo a aplicar nos seus modelos mais recentes. A frente é marcada por linhas suaves, entradas de ar integradas no para-choques inferior e vincos laterais mais definidos, que ajudam a dar maior largura visual ao conjunto. De perfil, a linha ascendente e o efeito de tejadilho flutuante procuram retirar peso à carroçaria. Na traseira, a assinatura luminosa ocupa toda a largura e integra o logótipo da marca, acompanhada por um spoiler discreto e um para-choques de desenho simples.

Com 1,825 metros de largura e uma distância entre eixos de 2610 mm, o Dolphin G DM-i promete uma utilização interior acima do que normalmente se espera de um automóvel de segmento B. A BYD fala em espaço para cinco adultos e anuncia uma bagageira de 425 litros, incluindo um compartimento de 45 litros sob o piso. Com os bancos traseiros rebatidos na proporção 40:60, a capacidade sobe para 1225 litros. São números importantes, sobretudo porque a integração de uma bateria maior num híbrido plug-in costuma penalizar o volume útil.
O habitáculo privilegia a simplicidade funcional. O painel de instrumentos digital tem 8,8 polegadas e o ecrã central de infoentretenimento mede 12,8 polegadas. O seletor da transmissão foi colocado na coluna de direção, libertando espaço entre os bancos dianteiros, onde há uma zona de arrumação em dois níveis, porta-copos e, consoante a versão, carregamento sem fios para smartphone. A BYD manteve ainda uma fila de comandos físicos para funções essenciais, uma decisão bem-vinda num tempo em que demasiadas marcas escondem operações básicas nos menus dos ecrãs.
Bem equipado de série
A gama portuguesa está estruturada em dois níveis de equipamento. A versão Boost já inclui bancos dianteiros e volante aquecidos, retrovisor interior com escurecimento automático, espelhos exteriores rebatíveis eletricamente, iluminação ambiente multicolor, carregador sem fios de 15 W, saídas de ar traseiras, portas USB para os passageiros de trás e sistema de áudio com oito altifalantes. Inclui também a função Vehicle-to-Load, que permite alimentar equipamentos elétricos externos a partir da bateria do veículo.

A versão Comfort acrescenta equipamento que, até há pouco tempo, seria mais comum em segmentos superiores. Entre os principais elementos estão o head-up display, o teto panorâmico com cortina de acionamento elétrico, a câmara de visão panorâmica de 360 graus, o banco do condutor com ajuste elétrico e apoio lombar regulável eletricamente, os estofos em tecido e pele vegan, as luzes de cortesia nos espelhos exteriores e as jantes de liga leve de 18 polegadas. O sistema de infoentretenimento passa também a integrar Google, com Google Assistant e Play Store.
A garantia segue o padrão habitual da BYD: seis anos ou 150 000 km para o veículo e oito anos ou 250 000 km para a bateria.
Artigo por Rui Reis
