
The Rainbow Warrior is in the South Pacific Ocean to expose longline fishing and call on governments to ratify the Global Ocean Treaty and create a network of protected areas in the High Seas.
A Greenpeace apela aos governos para limitarem a influência da indústria nas negociações do Tratado Global dos Oceanos, num momento decisivo para a criação de santuários marinhos e para o futuro da vida no mar.
A Greenpeace lançou um apelo direto aos governos para que travem a influência do lobby empresarial nas negociações internacionais sobre a proteção dos oceanos, que decorrem esta semana na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Em causa está a terceira ronda de negociações para operacionalizar o Tratado Global dos Oceanos, um processo que deverá culminar na primeira Conferência das Partes (COP) dedicada ao oceano, prevista para os próximos meses. O objetivo é definir regras concretas para proteger áreas marinhas em alto mar, incluindo a criação de santuários totalmente protegidos.
A organização ambiental alerta que estas decisões podem ter um impacto direto na capacidade de limitar práticas como a pesca industrial intensiva, apontada como uma das principais ameaças à biodiversidade marinha.
Para Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace Portugal, “Portugal tem de estar do lado da proteção efetiva dos oceanos e não do lado dos interesses que continuam a travar decisões urgentes. Num momento decisivo para a implementação do Tratado Global dos Oceanos, o Governo português tem de defender regras claras, ambiciosas e livres da captura por interesses económicos. Proteger o oceano não pode continuar refém do lobby da pesca industrial e da indústria de mineração em mar profundo.”
O responsável acrescenta: “O nosso país tem uma responsabilidade acrescida nesta matéria, pela ligação histórica, geográfica e política ao mar, e deve estar entre os que lideram pela ambição e não entre os que a atrasam. Este é o momento de garantir que a proteção da biodiversidade marinha prevalece sobre a pressão de setores económicos, que continuam a comprometer o futuro do oceano. O que está em causa nestas negociações, é a capacidade real de proteger áreas marinhas fundamentais para a saúde do planeta e para as gerações futuras.”
Entre as propostas em discussão está a criação de santuários marinhos, áreas totalmente protegidas onde atividades destrutivas seriam proibidas. Segundo a Greenpeace, estas zonas são essenciais para permitir a regeneração dos ecossistemas, depois de décadas de sobre-exploração.
A organização defende que os governos devem impor um prazo máximo de 120 dias para a revisão destas propostas, evitando bloqueios por parte de entidades ligadas à indústria. Em particular, critica o papel das Organizações Regionais de Ordenação das Pescas, acusadas de historicamente protegerem interesses económicos em detrimento da conservação dos oceanos.
Megan Randles, chefe da delegação da Greenpeace nas negociações, denuncia o facto de a indústria pesqueira estar “a pressionar para enfraquecer o Tratado Global dos Oceanos há anos. Precisamos que os governos travem agora a influência corporativa, que deixem de ceder à pressão do setor e evitem que o processo fique preso em atrasos. As organizações que gerem a pesca em alto mar, protegeram sempre os interesses da indústria. Por isso, a Greenpeace pede que seja limitada a influência que podem exercer sobre as propostas de santuários, urgentemente necessários para permitir que o oceano recupere”.
O objetivo internacional passa por proteger 30% dos oceanos até ao final da década, um limiar que a comunidade científica considera essencial para travar a perda de biodiversidade e restaurar os ecossistemas marinhos. Dados citados pela organização indicam que, já em 2016, 75% das populações de peixes de alto mar estavam esgotadas ou sobre-exploradas.
Num cenário em que interesses económicos, política internacional e ciência se cruzam, o desfecho destas negociações poderá definir não apenas novas regras, mas também o ritmo a que o oceano consegue recuperar nas próximas décadas.
