
A União Europeia reduziu as emissões de gases com efeito de estufa em 40% desde 1990, segundo a Agência Europeia do Ambiente, um resultado que combina tecnologia, políticas públicas e mudanças no dia a dia
A União Europeia atingiu em 2024 o nível mais baixo de emissões de gases com efeito de estufa desde 1990, depois de uma redução de 3% face ao ano anterior. No total, a queda acumulada chega aos 40%, segundo dados oficiais da Agência Europeia do Ambiente (AEA), enviados às Nações Unidas.
Este resultado não depende de um único fator. É a soma de várias mudanças com impacto direto na forma como se consome energia, se habita uma casa ou se circula.
Um dos principais motores desta redução está na eletricidade. A forma como a Europa produz energia mudou radicalmente nas últimas décadas. O carvão perdeu espaço, o gás natural ganhou peso como solução intermédia e, sobretudo, as energias renováveis cresceram de forma consistente. Hoje, uma parte significativa da eletricidade europeia já vem de fontes como o solar e o eólico.
Outro elemento-chave é a eficiência energética, com melhoria do isolamento das casas e equipamentos mais eficientes que ajuda a usar menos energia para se atingir o mesmo nível de conforto.
Há também uma transformação menos óbvia, mas igualmente relevante: a economia europeia tornou-se menos dependente de setores intensivos em energia. O crescimento do setor dos serviços, em detrimento da indústria pesada, contribuiu para reduzir o impacto ambiental por cada euro gerado.
Ainda assim, nem tudo está resolvido. O setor dos transportes continua a ser um dos maiores desafios. Mesmo com mais veículos elétricos nas estradas e motores mais eficientes, as emissões aumentaram. A razão é direta: há mais pessoas e mais bens a circular, o que anula parte dos ganhos tecnológicos.
Outro ponto crítico está nas florestas que surgem nesta equação como fatores de compensação. A capacidade de absorver dióxido de carbono tem diminuído, devido ao envelhecimento das árvores, ao aumento da exploração e aos efeitos das alterações climáticas.
Apesar destes desafios, os dados mostram uma mudança estrutural: a economia europeia cresceu mais de 70% desde 1990, enquanto as emissões diminuíram. Isto ajuda a explicar porque é que a transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas também económica e tecnológica.
Hoje, cada europeu emite, em média, cerca de 6 toneladas de dióxido de carbono por ano, quase metade do registado há três décadas. Um bom sinal, mas que ainda terá de melhorar.
