O Alentejo acaba de ganhar mais um motivo de visita e, desta vez, com rédeas bem apertadas no passado e um olhar firme no futuro. Chama-se MAAG – Museu de Arte e Atrelagem de Gavião, e promete surpreender até quem acha que já conhece todos os segredos da região.
Instalado num antigo palacete do século XIX, conhecido como Seminário Menor, no centro da vila de Gavião, o MAAG abre ao público a 19 de julho com dois novos pisos expositivos e uma programação que homenageia a arte equestre com rigor, classe e uma dose generosa de storytelling histórico.
História com vista panorâmica
Ao contrário do habitual, a visita começa no último andar. A ideia? Dar contexto — e uma vista de cortar a respiração sobre a vila e a paisagem alentejana. O terceiro piso oferece uma introdução visual e didática ao mundo da atrelagem, com painéis ilustrativos e glossários inéditos que explicam como o cavalo se liga à viatura. Pode parecer técnico, mas a experiência é fluida e quase poética.
Descendo para o segundo piso, entram em cena duas coleções de peso. A espanhola DHD Dorantes SL (vinda de Sevilha) expõe, pela primeira vez, acessórios históricos ligados às elites equestres. Já a coleção do português Dr. Carlos Vences, de Montemor-o-Novo, mergulha em objetos de devoção e higiene da aristocracia rural. O contraste entre os dois mundos cria um diálogo tão curioso quanto sofisticado.
Nos pisos inferiores, as estrelas são as viaturas hipomóveis, autênticas preciosidades de diversas origens e épocas, algumas delas a serem apresentadas ao público português pela primeira vez.
A festa de abertura acontece a 19 de julho, às 16h30. Mas o momento alto será às 18h, com um desfile pelas ruas do Gavião de viaturas dos séculos XIX e XX, uma espécie de revival ao ar livre que vai transportar a vila para outra era, com rodas de madeira a ecoar pelas ruas de calçada.
Um museu vivo
Mais do que um espaço expositivo, o MAAG quer ser um centro vivo da cultura equestre. As suas coleções — que vão de selas e arreios a trajes, aguarelas técnicas e objetos de devoção, traçam o papel social e económico da atrelagem entre os séculos XVIII e XX. E fazem-no com uma estética cuidada e uma curadoria que convida ao tempo lento e à contemplação, como, aliás, quase tudo no bom Alentejo.
A reabilitação foi conduzida pela Câmara Municipal de Gavião, com apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. Para José Santos, presidente da entidade, este é “mais um importante ponto de atração turística que se junta ao património cultural e histórico que convida à exploração deste território”.


