A Volvo tem vindo a eletrificar a gama com uma cadência consistente, mas o EX60 marca uma mudança qualitativa. Não é apenas “o XC60 em versão elétrica”: é o primeiro modelo construído sobre a nova arquitetura SPA3, pensada de raiz para BEV e desenhada para evoluir ao longo do tempo em hardware e software.
Em termos práticos, isto coloca o EX60 no centro da estratégia tecnológica da marca para os próximos anos e explica porque é apresentado como mais do que um novo lançamento: é uma plataforma de futuro.
Essa ambição vê-se naquilo que mais impacta a vida real: autonomia e carregamento. A Volvo fala em até 810 km (WLTP) e num ganho de 340 km em 10 minutos de carregamento rápido, além de 10–80% em 19 minutos.
São números que, se confirmados com consistência fora do “cenário ideal”, encurtam a distância entre a ideia de elétrico e o hábito de o usar sem pensar, sobretudo para quem vive entre a cidade e a autoestrada, trabalho e família, semana útil e aventuras de fim de semana.
O EX60 também é um manifesto do conceito “software-defined”. A Volvo apoia-se na sua Superset tech stack (um conjunto comum de módulos de HW/SW para futuros elétricos) e numa arquitetura de computação robusta com NVIDIA DRIVE AGX Orin, reforçada por um novo processador Qualcomm, para sustentar experiências digitais mais rápidas e funções que podem melhorar com o tempo.
No centro, surge a integração do Google Gemini, com uma abordagem mais conversacional e menos dependente de menus, tecnologia que só tem valor se reduzir fricção no quotidiano, em vez de reclamar atenção.
Na segurança e assistência à condução, o EX60 estreia o Pilot Assist Plus, pensado para autoestrada até 130 km/h, com assistência à direção e mudanças de faixa, permitindo uma condução “hands-off” sob supervisão, mantendo o condutor responsável e atento. É um passo importante: não vende ficção de autonomia total, mas procura diminuir a carga mental do condutor em viagens mais longas, o que, no fim, também é conforto.

A eficiência não se limita à aerodinâmica (o EX60 anuncia Cx 0,26). A Volvo sublinha a tecnologia cell-to-body, com ganhos de densidade energética e eficiência, e o recurso a mega casting em alumínio reciclado para simplificar construção e reduzir impacto ambiental. A marca vai mais longe ao afirmar que o EX60 terá a menor pegada de carbonode qualquer Volvo, ao nível do EX30, uma afirmação forte e, por isso mesmo, relevante.
Por dentro, a lógica escandinava mantém-se: serenidade, materiais com intenção e espaço pensado para o dia-a-dia. Em números, há substância: 634 litros de bagageira com a segunda fila levantada e até 1647 litros na capacidade máxima, além de frunk até 85 litros, detalhes que interessam a quem usa o carro como ferramenta de vida, não como uma vitrina para os outros.

A gama organiza-se em três variantes, com dois níveis iniciais (Plus e Ultra) e um futuro Core. A P6 (tração traseira) aponta ao equilíbrio: 275 kW (374 cv), 480 Nm, 0–100 km/h em 5,9 s, bateria 83/80 kWh (nominal/utilizável) e até 620 km WLTP.
A P10 (AWD) deverá ser o “sweet spot” para muitos: 375 kW (510 cv), 710 Nm, 0–100 em 4,6 s, bateria 95/91 kWh e até 660 km WLTP.
No topo da oferta, a P12 combina a máxima autonomia e performance: 500 kW (680 cv), 790 Nm, 0–100 em 3,9 s, bateria 117/112 kWh e até 810 km WLTP. Todas assumem 180 km/h de velocidade máxima, coerente com o posicionamento Volvo.
Para quem quer um lado mais aventureiro, há o EX60 Cross Country: mais presença, nova cor “frost green” e uma postura mais pronta para sair do asfalto, com +20 mm de altura e suspensão pneumática que pode elevar mais 20 mmquando necessário.
As entregas seguem uma lógica faseada: P6 e P10 a partir do verão, com a P12 a chegar mais tarde no ano.
Artigo por Rui Reis



