
Desde 2022 que 175 países negociam um acordo histórico para travar a poluição por plásticos. Mas as conversas em Genebra terminaram sem consenso. O que está em causa, afinal, e porque é tão difícil dar este passo?
O plástico faz parte do nosso dia-a-dia — desde a embalagem do café que bebemos de manhã até ao telemóvel que temos no bolso. Mas aquilo que parece indispensável na rotina moderna tornou-se um dos maiores problemas ambientais do século XXI.
Porque é preciso um tratado global?
A produção de plástico tem crescido de forma exponencial. Hoje fabricam-se mais de 400 milhões de toneladas por ano. E menos de 10% é reciclado. O resto acumula-se em aterros, incineração ou no ambiente, onde pode persistir centenas de anos.
O resultado? Microplásticos no ar que respiramos, no peixe que comemos e até no sangue humano. A poluição plástica não é apenas uma questão estética das praias ou rios sujos — é uma questão de saúde pública e de justiça ambiental.
O que se tentou negociar?
Desde 2022, representantes de 175 países têm-se reunido para negociar um Tratado Global sobre os Plásticos. A ideia é simples: criar regras comuns que permitam reduzir a produção, banir químicos perigosos, promover transparência na cadeia de valor e apoiar sistemas de reutilização.
Em teoria, todos reconhecem o problema. Na prática, os interesses económicos ligados ao petróleo e à indústria petroquímica têm bloqueado avanços significativos.
Porque falhou em Genebra?
Na última ronda de negociações, a divergência manteve-se: de um lado, países e organizações que defendem metas concretas e juridicamente vinculativas; do outro, os grandes produtores de petróleo e plástico, que preferem compromissos vagos, sem impacto real.
O resultado foi mais uma reunião sem acordo. Para as organizações ambientalistas, isto significa tempo perdido numa crise que já é urgente.
E agora, o que pode acontecer?
Segundo a associação ambientalista Zero e muitas outras ONG, não é altura de desistir. Mais de 120 países — da União Europeia à Colômbia, passando pelas Fiji e o Reino Unido — querem continuar a pressionar para medidas fortes. Mesmo sem todos à mesa, é possível avançar com alianças entre os mais ambiciosos.
Enquanto isso, ao nível local, multiplicam-se as iniciativas para reduzir o plástico descartável, apostar em sistemas de reutilização e reforçar a regulação.
Cada vez mais, empresas e governos vão ter de se adaptar a um mundo com menos plástico.
E também no dia-a-dia, cada escolha conta: recusar descartáveis, apostar em garrafas reutilizáveis, escolher produtos com menos embalagem, apoiar marcas que investem em soluções sustentáveis.
O fracasso em Genebra mostra como é difícil mudar sistemas dominados por grandes interesses económicos. Mas também deixa claro que há um movimento crescente — de países, cidades, empresas e cidadãos — que não está disposto a aceitar um futuro feito de plástico descartável.
