
Apesar de crescerem num mundo cada vez mais marcado pelas alterações climáticas, os jovens entre os 18 e os 24 anos revelam um menor compromisso com a sustentabilidade. Um estudo recente mostra que esta geração está mais preocupada com o custo de vida e o desemprego do que com o planeta.
Os jovens não estão, afinal, na linha da frente da luta contra as alterações climáticas. O estudo “Clima de Mudança: Perceções sobre os Desafios Ambientais em Portugal”, encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian à IPSOS Apeme, revela que os inquiridos entre os 18 e os 24 anos demonstram menor envolvimento com as questões ambientais, sendo também o grupo etário onde existe maior representatividade do perfil “Desinteressado” — 19% dos jovens inquiridos encaixam nesta categoria, a mais distante da ação sustentável.
O estudo teve como objetivo compreender as perceções e atitudes dos portugueses relativamente às alterações climáticas e caracterizar o terceiro setor ambiental em Portugal. E, entre os vários segmentos da população, os jovens adultos destacam-se — mas não pelos melhores motivos.
Segundo os dados, esta faixa etária está relativamente mais preocupada com o aumento do custo de vida e o desemprego, vivendo maioritariamente com os pais e demonstrando um afastamento em relação à vida da comunidade e às atividades locais. Estes jovens são, também, mais céticos quanto ao papel do espaço público na sustentabilidade.
O conhecimento que têm sobre os desafios ambientais advém, na maioria dos casos, das redes sociais, e são os que menos procuram informação proativamente.
Quando se analisam os comportamentos, percebe-se que tendem a utilizar mais os transportes públicos e bicicletas, o que é compatível com o seu contexto de vida. No entanto, são os que menos reciclam regularmente, os que menos optam por banhos curtos, os que menos privilegiam frutas e vegetais da época e os que menos limitam o consumo de carne.
Esta combinação de fatores, segundo os autores do estudo, pode indicar uma perda de consistência na consciência ambiental ao longo do crescimento: “Ainda que muitas vezes as crianças sejam sensibilizadas desde cedo — ‘foram os meus filhos que me ensinaram a reciclar’, relatam alguns adultos —, essa consciência tende a esbater-se na adolescência e juventude, momentos marcados por uma redefinição de identidade e pela entrada em novas esferas sociais e profissionais”.
O estudo alerta para a importância de reforçar a educação ambiental ao longo das várias etapas da vida, desde a infância até à idade adulta. Embora existam professores “entusiastas” que dinamizam projetos ecológicos (segundo os entrevistados, “não é da escola, é mesmo de cada professor”), a mudança de hábitos exige uma estratégia coletiva e estruturante por parte das escolas.
Os autores do estudo alertam que, para além da consistência, é necessário que as abordagens educativas sejam criativas e ajustadas aos interesses dos alunos, especialmente nas fases em que a ligação à escola começa a enfraquecer. Fora do contexto escolar, também é fundamental garantir que a transição para a vida adulta é acompanhada de estímulos relevantes, que demonstrem como a sustentabilidade pode trazer benefícios imediatos, reforçam os autores do estudo.
Apesar de existirem jovens com atitudes mais pró-ativas, os dados revelam que dois terços dos jovens adultos têm um envolvimento reduzido com a causa ambiental.
Na visão dos autores, o desafio passa por chegar a estes jovens, criar um discurso próximo, concreto e útil, que não apenas apele à consciência ecológica, mas que responda às suas necessidades mais urgentes.
Em síntese, o estudo evidencia que ser jovem, por si só, não garante uma maior sensibilidade ambiental. Para contrariar esta tendência, será necessário construir experiências práticas, consolidar modelos educativos eficazes e promover formas de participação que envolvam realmente esta geração no presente — e no futuro — da sustentabilidade.
