
Foram recentemente entregues pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) os prémios anuais. O galardão Enólogo do Ano, foi entregue a Pedro Pinhão, diretor de enologia da Quinta da Lagoalva, empresa onde trabalha há mais de duas décadas. E onde também ocupa um lugar na administração desde 2021.
Situada junto à margem sul do rio Tejo, em Alpiarça, para a propriedade da família Holstein Campilho, uma das mais antigas do Ribatejo, foi também o prémio de Melhor Enoturismo da região dos Vinhos do Tejo.
A Gala Vinhos do Tejo foi também a da entrega de prémios do Concurso Vinhos do Tejo 2025, com a Quinta da Lagoalva a ver um trio de brancos laureados. Com um PVP de 5,49 euros, o Lagolava branco 2024 surpreendeu ao ser distinguido com uma medalha de Grande Ouro – uma entre apenas 11, no total, e entre um painel de 200 vinhos. O Lagoalva Reserva Arinto & Chardonnay 2023 e o Quinta da Lagoalva Grande Reserva Fernão Pires branco 2022 foram brindados com duas medalhas de ouro.
Quem é Pedro Pinhão?
Pedro Pinhão, uma pessoa com características de líder nato, organizado, rigoroso, discreto e humilde, formou-se em Agronomia, ramo de viticultura e enologia, no Instituto Superior de Agronomia (ISA), em Lisboa, em 2007. Durante o curso estagiou sempre na Quinta da Lagoalva, a primeira vez em 2003, e fez vindimas em países como Chile, Austrália e Nova Zelândia. No início de carreira, já “residente” na Lagoalva, colaborou com produtores alentejanos. Já há vários anos que se dedica de corpo e alma à região dos Vinhos do Tejo. Ribatejano de gema, é natural de Alpiarça e vive em Santarém, tendo uma profunda ligação e conhecimento da região, onde gere também a empresa agrícola da família, herança dos avós, também eles agricultores. Na Lagoalva tem vindo a contribuir não só na enologia, mas também em outras áreas agrícolas do grupo. Com características de líder nato – organizado, rigoroso, discreto e humilde
Enoturismo da Quinta da Lagoalva soma reconhecimento público
Além da produção de azeite, da extração de cortiça, da criação de gado e de cavalos puro-sangue lusitano, a Quinta da Lagoalva tem vindo a apostar cada vez mais na vertente de enoturismo, o que lhe tem valido vários prémios, somando agora a distinção de Melhor Enoturismo atribuído pela CVR Tejo e pela Rota dos Vinhos do Tejo. Um reconhecimento que aplaude a oferta recentemente reestruturada, em que a Quinta da Lagoalva apela aos visitantes a “Viver”, “Explorar”, “Aprender”, “Criar” ou a desfrutar de uma oferta premium, “No Palácio da Lagolava com a Família”, tendo sempre um tronco comum, que é a visita ao núcleo central e prova de vinhos. Os passeios de charrete são um dos ex-libris da oferta. Mais recentemente e no âmbito do programa de sustentabilidade e tendo em conta o ecossistema de biodiversidade da Quinta da Lagoalva, tem vindo a ser promovidas iniciativas de observatório de aves no Paúl da propriedade. A Quinta da Lagoalva é um cenário ideal para a realização de eventos à medida do cliente, individual ou corporate, e até de casamentos, com possibilidade de matrimónio na sua capela. Permite a realização de atividades como almoços, reuniões, lançamento de produtos, ações de teambuilding e piqueniques nas vinhas ou nos olivais centenários, entre outras.
Uma Quinta com quase 900 anos de história
A Quinta da Lagoalva de Cima estende-se pela margem sul do rio Tejo, a cerca de 2Kms da vila de Alpiarça e a 11Kms de Santarém, a capital de distrito. A sua história remonta ao séc. XII, quando, 50 anos após o Tratado de Zamora (1143), o rei de Portugal D. Sancho I assinou a comenda de doação de vários territórios nesta região à Ordem de Santiago de Espada, após os seus heroicos feitos na conquista de Santarém. Entre as várias propriedades estava a Quinta da Lagoalva, que pertenceu a esta ordem durante seis séculos, e que data de 1193 o seu primeiro registo. Em 1834, a Lagoalva foi comprada por Henrique Teixeira de Sampayo, 1.º Conde da Póvoa. Entre 1841 e 1842 todos os bens passaram para D. Maria Luísa Noronha de Sampayo, que, em 1846, casou com D. Domingos António Maria Pedro de Sousa e Holstein, 2.º Duque de Palmela, revertendo, a partir dessa época, os bens para a Casa Palmela e, passando, por sucessão, para os seus descendentes, até à atualidade. Com 660 hectares contíguos, a Quinta da Lagoalva é a maior e mais emblemática – até pela sua dimensão histórica e cultural – de um coletivo de várias propriedades pertença do Grupo Lagoalva. Este grupo é detido pela família Holstein Campilho, estando à sua frente os (seis) irmãos Manuel, como Presidente do Conselho de Administração; Maria do Carmo; Pedro; Maria José (representada pela sua filha Inês Campilho Chaves); João e Miguel, como vogais.
O Grupo Lagoalva é conhecido pelos seus Vinhos do Tejo e cada vez mais pelo Azeite Virgem Extra, mas dedica-se a outras culturas como frutos secos; cereais (trigo e aveia); vegetais, leguminosas e gramíneas (milho, ervilha e brócolos; luzerna; e azevém); mel; floresta e cortiça. Isto para além da coudelaria, enoturismo e equipamentos e serviços de rega. Explora uma área total de cerca de 5.500 hectares, de entre os quais se destacam 4.000ha de floresta, 1.000ha de agricultura de regadio, cerca de 46ha de vinha e 32,5ha de olival. A longa tradição da Quinta da Lagoalva como produtora de vinho é atestada em 1888, na Exibição Portuguesa de Indústria, onde esteve presente com 600 cascos de vinho. Data de 1989 o primeiro registo como produtor engarrafador, com a marca “Cima”, certificada pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), entidade que em setembro de 2024 lhe atribuiu o selo Sustainable Winegrowing Portugal, no âmbito do Referencial Nacional de Certificação de Sustentabilidade do Sector Vitivinícola. Seguiu-se a primeira certificação atribuída pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, em 1992, então como “Quinta da Lagoalva”. As vinhas mais velhas são de Fernão Pires e têm cerca de 70 anos. Destaque para as vinhas de Syrah, plantadas em 1984, das primeiras em Portugal. As castas mais representativas são, nas brancas, Alvarinho (1,0ha), Arinto (1,9ha), Chardonnay (3,0ha), Fernão Pires (3,6ha), Sauvignon Blanc (6,1ha), Verdelho (2,0ha) e Viosinho (2,8ha) e, nas tintas, Alfrocheiro (3,9ha), Cabernet Sauvignon (1,0ha), Castelão (3,0ha), Syrah (7,0ha), Tannat (1,3ha), Touriga Nacional (2,9ha) e Touriga Franca (4,0ha). O portefólio de vinhos tem uma espinha dorsal, composta por três marcas: Lagoalva (Espumante Pet Nat; Espumante; Colheita branco, rosé e tinto; Sauvignon Blanc; Reserva branco e tinto; Barrel Selection branco e tinto; e espumante Pet Nat), Quinta da Lagoalva (Grande Reserva Fernão Pires branco, Alfrocheiro tinto e Syrah tinto; Colheita Tardia; e vinho Abafado) e Dona Isabel Juliana (Grande Reserva branco e tinto). Aos vinhos soma-se o azeite Virgem Extra, o mel, os frutos secos, os cereais, a floresta e a cortiça.
