
Um estudo português concluiu que ruas arborizadas e pequenos espaços verdes podem reduzir drasticamente a temperatura nas cidades. Em Coimbra, investigadores encontraram diferenças superiores a 25 graus entre zonas ajardinadas e superfícies totalmente pavimentadas.
As ondas de calor tendem a transformar as cidades em autênticas placas de calor. O que fazer para atenuar estes “braseiros” urbanos? Um estudo desenvolvido pelas universidades do Porto e de Coimbra deu uma achega, mostrando agora que a diferença entre uma zona arborizada e uma área totalmente pavimentada pode ultrapassar os 25 graus.
Numa das principais avenidas de Coimbra, investigadores registaram cerca de 25 ºC numa área verde e mais de 50 ºC na superfície pavimentada de uma paragem de BRT (Bus Rapid Transit).
A diferença ajuda a perceber porque é que algumas ruas parecem quase impossíveis de atravessar durante o verão, mesmo quando a temperatura oficial anunciada é bastante inferior.
O estudo analisou diferentes zonas urbanas de Coimbra através de sensores térmicos, medições de humidade e drones equipados com câmaras térmicas. O objetivo era perceber como a estrutura das cidades influencia a retenção e dissipação de calor.
A conclusão é clara: pequenas áreas verdes e ruas arborizadas podem ter um impacto muito significativo no arrefecimento urbano.
Mas os investigadores alertam que não basta plantar árvores aleatoriamente. Algumas espécies têm muito maior capacidade de arrefecimento do que outras, sobretudo árvores associadas a ambientes ribeirinhos, como salgueiros, choupos ou freixos.
Também o tipo de solo faz diferença. Cidades excessivamente impermeabilizadas, dominadas por cimento, asfalto e pedra, impedem a retenção de água no subsolo. Sem água suficiente, as árvores perdem grande parte da capacidade de refrescar o ambiente.
Os investigadores encontraram inclusivamente recreios escolares onde existiam árvores, mas praticamente sem qualquer efeito térmico, devido à escolha inadequada das espécies e à falta de água disponível no solo.
As chamadas “ilhas de calor” urbanas não afetam apenas o conforto. Estão também associadas ao aumento do consumo energético, pior qualidade do ar e maiores riscos para a saúde, sobretudo entre idosos, crianças e pessoas mais vulneráveis.
O estudo defende que adaptar as cidades ao novo contexto climático passa inevitavelmente por repensar o espaço urbano. Menos superfícies impermeáveis, mais sombra e mais vegetação deixam de ser apenas escolhas estéticas e passam a funcionar como infraestrutura de proteção climática.
