
Estudo do Arval Mobility Observatory fornece insights valiosos sobre como pode a mobilidade sustentável passar de um objetivo teórico para uma realidade efetiva.
Um estudo recente do Arval Mobility Observatory revela um panorama paradoxal acerca da mobilidade sustentável. Ainda que a análise recaia sobre a realidade em Espanha, dela podemos tirar pistas de reflexão para Portugal: embora a maioria dos espanhóis reconheça a importância da sustentabilidade nas deslocações diárias, apenas uma pequena percentagem percebe esforços concretos por parte das empresas e do Estado para promover mudanças efetivas. A investigação, que analisou hábitos e perceções da população sobre mobilidade sustentável, aponta para um desfasamento entre intenções e comportamentos.
Segundo o relatório, 82,4% dos inquiridos consideram relevante a sustentabilidade das suas deslocações. No entanto, apenas 18,2% reconhecem que as suas empresas adotam políticas ativas para promover práticas sustentáveis. Este contraste sublinha um desafio fundamental: a necessidade de as empresas irem além do discurso e implementarem medidas concretas que facilitem alternativas de transporte ecológicas para os colaboradores.
Além disso, quase metade dos entrevistados acredita que as empresas deveriam liderar este esforço, o que demonstra uma expectativa de que o setor privado assuma um papel mais ativo na transição para a mobilidade sustentável. Contudo, a implementação de planos de mobilidade nas empresas parece ainda incipiente, mesmo entre aquelas com mais de 500 funcionários, para as quais a legislação obriga a adoção de estratégias mais verdes.
Carros a combustão ainda dominam, mas futuro é eletrificado
Os dados do estudo mostram que 87,3% dos espanhóis possuem um automóvel a combustão interna, com uma divisão equilibrada entre motores a gasolina e a gasóleo, já que foram décadas de mobilidade assente no primórdio dos motores térmicos. Apesar da predominância de veículos movidos por combustíveis fósseis, há sinais de mudança: 40% dos inquiridos afirmam ter alterado os seus hábitos de mobilidade nos últimos cinco anos para opções mais sustentáveis.
Este movimento tende a acelerar nos próximos anos, já que dois terços dos entrevistados planeiam adotar medidas sustentáveis até 2029. Entre aqueles que pretendem adquirir um novo veículo, 69,4% optariam por um modelo eletrificado. A preferência recai sobre híbridos HEV (37,4%), seguidos pelos híbridos plug-in PHEV (16,8%) e pelos veículos 100% elétricos (15,2%). Estes números sugerem que a eletrificação do parque automóvel, neste caso espanhol, é uma tendência irreversível, desde que acompanhada pelo desenvolvimento das infraestruturas necessárias, algo que ainda é encarado como um obstáculo.
De acordo com o estudo, 66,8% dos espanhóis consideram que a melhoria do transporte público é fundamental para promover a mobilidade sustentável. Adicionalmente, 49,6% apontam a necessidade de incentivos financeiros para a compra de veículos elétricos, e 40% destacam a importância da expansão de infraestruturas, como ciclovias e pontos de carregamento.
A perceção da adequação urbana para a mobilidade sustentável e suave também é um ponto crítico: apenas 13,4% dos inquiridos acreditam que as cidades espanholas estão suficientemente preparadas. A falta de infraestruturas adequadas pode ser um entrave significativo à adoção de veículos elétricos e meios de transporte alternativos.
Todos estes indicadores, ainda que alusivos ao país vizinho, são um bom mote para uma reflexão para a realidade portuguesa que também se confronta com a necessidade de uma transição para uma mobilidade mais ecológica.
