A Casa da Passarella lançou recentemente três vinhos, um com 11 anos de estágio e dois monocastas, um deles com um nome bem curioso, que explicamos no final, mas todos eles de se lhes tirar o chapéu!
O Casa da Passarella Vindima 2014 é o reflexo de um ano climatérico relativamente complicado, mas que terminou com uma vindima perfeita.
Concebido pelo enólogo Paulo Nunes, à frente dos designs da Casa da Passarella desde 2008, este vinho é o resultado de uma combinação de uvas das vinhas velhas da propriedade, com a predominância de Baga, Touriga Nacional, Alvarelhão, Tinta Pinheira, Jaen e Alfrocheiro, “um encontro feliz entre aparentes forças defensivas”, como comentou o enólogo.
Este Passarella 2014 teve de esperar nada menos de 11 anos para chegar ao mercado e ainda assim nota-se-lhe bastante juventude, sinal de que estando óptimo agora ainda se vai manter assim por alguns bons anos.
A vinificação tradicional ocorreu em lagares de granito seguindo-se um estágio de dois invernos em tonel de 3000 litros – que permitiram a estabilização natural do vinho, excluindo a necessidade de filtração – e, posteriormente mais 9 anos em garrafa. Em 2024, há um ano, portanto, Paulo Nunes procedeu ao rearranjo manual de cada uma das garrafas, o que inclui a mudança de rolha.
O vinho mantém uma bonita cor vermelho rubi, intenso. Tem grande complexidade no aroma, onde predomina a fruta vermelha com especiarias e um toque balsâmico.
Na boca apresenta uma grande frescura e muita complexidade, com taninos presentes mas muito civilizados. Um belíssimo vinho que fica gravado na nossa memória.
Este 2014 faz é a terceira edição do Casa da Passarella, que se estreou com a colheita de 2009 e que depois teve a colheita de 2011.
285€ | Álc. 13,8% | Acid. Tot. 5,9 g/l | pH 3,5| Açu. resid. 1,4 gr/l | 4000 grfs
Vamos agora aos dois monocastas apresentados na mesma ocasião.
O Villa Oliveira Encruzado 2022 é a celebração de uma das castas brancas mais nobres do Dão. Produzido a partir de uvas colhidas manualmente de uma vinha com mais 40 anos, este 100% Encruzado retoma a tradição de vinificação tradicional de brancos — um método ancestral, usado nos tempos em que também os brancos fermentavam com película, à semelhança dos tintos. A fermentação inicia-se espontaneamente em cuba de cimento com contacto pelicular, sendo que a prensagem é feita dois a três dias após o início da fermentação espontânea, com passagem para barricas velhas de 600 litros, onde termina a fermentação e estagia durante um ano. O resultado é um vinho de cor cítrica, com aromas a frutos brancos e líchias, de estilo encorpado, fresco e elegante, com uma acidez vibrante e um final de boca longo.
51,90€ | Álc. 13% | Acid. Tot. 6,35 g/l | pH 3,06 | Açu. resid. 0,9 gr/l | ? grfs
O segundo vinho monocasta é o Villa Oliveira Uva-Cão 2021, dando a conhecer uma casta quase extinta, através de uma abordagem que cruza tradição e vanguardismo. À semelhança do Encruzado, a fermentação espontânea inicia-se com contacto pelicular e, após prensagem, o mosto é conduzido 50% para cuba de cimento e 50% para barricas de 500litros. O estágio acontece em barricas de igual capacidade e em cuba de cimento, durante nove meses.
No aroma não muito expressivo, tem notas de fruta branca, uma frescura notável típica da casta. Na boca mostra não ser um vinho vulgar, antes pelo contrário, com uma acidez bem marcada, proporcionando uma prova delicada e complexa, com um final de boca muito longo.
Apenas uma nota para contar a história desta casta a que o tempo deu nome de Uva-Cão: pela sua alta acidez os lavradores plantavam-na na borda dos caminhos para que os passantes não as roubassem para comer. Era a uva que guardava a vinha, a Uva-Cão!
60€ | Álc. 13% | Acid. Tot. 8,52 g/l | pH 2,99| Açu. resid. 1,2 gr/l | ? grfs
A Casa da Passarella pertence à região demarcada do Dão (sub-região Serra da Estrela), cuja demarcação remonta a 1908 e que produz vinhos fantásticos. A Casa da Passarella data de 1892, dedicando-se à produção e à comercialização de vinhos de elevada qualidade, sob a batuta de Paulo Nunes, na direção da enologia desde 2008. Na propriedade contam-se sete vinhas centenárias, também conhecidas como as “sete magníficas”.



