Nihon Hidankyo foi a organização galardoada com o Nobel da Paz de 2024. A superação dos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki foi o mais destacado na atribuição deste prémio.

O Prémio Nobel da Paz foi atribuído esta sexta-feira, 11 de outubro, à organização japonesa Nihon Hidankyo de sobreviventes da bomba atómica de Hiroshima e Nagasaki.
O anúncio foi feito esta sexta-feira por Watne Frydness, presidente do Comité Nobel Norueguês que destacou os “esforços para alcançar um mundo livre de armas nucleares e por demonstrar por meio de depoimentos que as armas nucleares nunca mais devem ser utilizadas”.
Com objetivo de destacar a consciencialização sobre as consequências humanitárias do uso de armas nucleares criaram um movimento global. O destaque principal do Comité Nobel foi para o testemunho dos Hibakusha – os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki – que ajudaram a consolidar uma oposição generalizada às armas nucleares pelo mundo.
No comunicado publicado o Comité Nobel ainda destacou que no próximo ano celebram-se os 80 anos das duas bombas atômicas americanas. A morte de quase 120 000 habitantes de Hiroshima e Nagasaki foi um número comparável às mortes que ocorreram nos meses seguintes por queimaduras e ferimentos por radiação.
Durante muito tempo os sobreviventes não só foram ocultados, mas também negligenciados. Diversas vítimas de testes de armas nucleares no Pacífico, formaram a Confederação Japonesa de Organizações de Sofredores, nome que posteriormente foi alterado para Nihon Hidankyo.
A “crença de que indivíduos comprometidos podem fazer a diferença” era a visão de Alfred Nobel. Assim, com a distinção do prémio a todos os sobreviventes que, com todo o sofrimento decidiram usufruir do mesmo “para propagar esperança e envolvimento pela paz”.
A reação do copresidente da organização antinuclear japonesa também não deixou ninguém indiferente. Surpreendido pela atribuição do prémio destacando que nunca tinha imaginado que tal pudesse acontecer. Ainda salientou que “foi dito que, graças às armas nucleares, a paz seria mantida em todo o mundo. Mas as armas nucleares podem ser utilizadas por terroristas”.
Foram 286 candidaturas recebidas no Nobel da Paz, um número inferior ao do ano anterior, 351 candidaturas. Entre as menções para potenciais vencedores, as apostas estavam inclinadas para o secretário-general da ONU, António Guterres, o opositor russo, Alexei Navalny (que morreu no início deste ano) e o presidente ucraniano, Volodymr Zelensky.
O último prémio foi para a jornalista e ativista iraniana Narges Mohammadi (detida desde 2021), o “direito a viver de forma digna” foi o mais destacado na sua luta contra não só a discriminação das mulheres, mas também a sua opressão.
