
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade atingiu dimensões epidémicas a nível global, afetando mais de 650 milhões de adultos e 340 milhões de crianças e adolescentes, com números que continuam a aumentar.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade atingiu dimensões epidémicas a nível global, afetando mais de 650 milhões de adultos e 340 milhões de crianças e adolescentes, com números que continuam a aumentar. Só em Portugal, de acordo com dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a obesidade afeta 28,7% dos adultos portugueses, com mais de dois terços da população a apresentar excesso de peso (67,6%). No entanto, estes números não contam a história completa. Por detrás de cada número há uma pessoa que, muitas vezes, trava uma batalha silenciosa, invisível nas análises clínicas e impossível de medir em quilos: a gestão emocional.
A ligação entre o corpo e a mente não é um conceito abstrato, mas uma evidência científica. Quando uma pessoa passa por uma situação de stress, ansiedade ou depressão, as hormonas e neurotransmissores que regulam as emoções também afetam os processos metabólicos e a forma como o corpo armazena ou utiliza a energia. Isso pode alterar os hábitos alimentares, transformando a comida num escape ou numa forma de consolo emocional.
Perder peso não é um caminho fácil, pode implicar uma luta diária contra a nossa própria mente. Esta realidade evidencia a relação entre a obesidade e a saúde mental, bem como a profunda ligação entre o bem-estar físico e emocional.
Mas há motivos para ter esperança: um estudo realizado recentemente pela PronoKal em Espanha, empresa especializada no tratamento do sobrepeso e da obesidade sob supervisão médica, revelou que 58% dos inquiridos define o «peso saudável» como «aquele que lhe oferece saúde e bem-estar, mesmo que não seja o peso perfeito». Esta mudança de perspetiva reflete uma evolução para uma abordagem mais consciente e menos centrada na balança.
Quando se toma a decisão de mudar, inicia-se outro desafio: não basta uma dieta ou um plano de exercícios, pois, alcançar um peso saudável implica também gerir pensamentos que podem sabotar o objetivo, lidar com sentimentos de culpa após um deslize e, em alguns casos, enfrentar a vergonha sofrida durante anos.
Da balança ao bem-estar integral: 5 pilares para um peso saudável e uma mente equilibrada
O caminho para um peso saudável não deve ser vivido como uma luta, mas como um ato de autocuidado e amor próprio. Pilar Morales, responsável pela área de Coaching da PronoKal Group®, explica os cinco pilares essenciais para cultivar o bem-estar aplicados ao contexto da obesidade, de acordo com o modelo PERMA, proposto pelo psicólogo Martin Seligman:
1. P – Emoções positivas e gratidão (positive emotions). Aumentar a consciência dos pequenos momentos de bem-estar que se vivem no dia a dia: saborear o facto de dormir melhor, agradecer o facto de o corpo se sentir mais leve ou desfrutar de um passeio ao ar livre. Estas emoções geram motivação e reduzem o stress, facilitando assim a manutenção dos novos hábitos.
2. E – Compromisso (engagement). Procurar atividades que gerem prazer (dançar, caminhar ao ar livre ou preparar refeições saudáveis com criatividade) favorece a consistência e afasta a sensação de obrigação.
3. R – Relações positivas (relationships). Contar com o apoio emocional de familiares, amigos, profissionais ou grupos de acompanhamento reduz o isolamento e favorece a perseverança.
4. M – Propósito (meaning). Conectar o cuidado do corpo com um propósito maior, como, por exemplo, estar mais disponível para a família, recuperar a vitalidade ou participar em atividades significativas, dá um sentido mais profundo ao processo.
5. A – Realizações (accomplishment). É a satisfação que sentimos ao ver o progresso atingido ao longo do tempo: conseguir caminhar uma distância maior do que antes, ver como a relação com a comida melhorou ou recuperar energia para atividades que pareciam impossíveis. Reconhecer estas concretizações alimenta a confiança e ajuda a sustentar a mudança a longo prazo.
“Esta abordagem ajuda a transformar o caminho para um peso saudável num processo de crescimento pessoal e de bem-estar integral que vai para além do peso ou da balança”, afirma Pilar Morales. Cuidar da mente é fortalecer os recursos internos que nos acompanham diariamente. Para quem vive com obesidade ou está em processo de perda de peso, a saúde mental é o alicerce de uma mudança sustentável, com dignidade, esperança e equilíbrio.
Alimentar-se de forma consciente, cuidar das relações, dormir bem e gerir as emoções não são ações isoladas: são os fios que tecem uma vida mais saudável e plena.
