
A capacidade mundial de energias renováveis pode ultrapassar os 8,4 terawatts até 2031. A queda dos custos da energia solar, a inteligência artificial e até o crescimento dos centros de dados ajudam a explicar por que razão a transição energética está a acelerar.
A energia renovável está a crescer a um ritmo que há poucos anos parecia improvável. Segundo a consultora GlobalData, a capacidade instalada mundial poderá mais do que duplicar até 2031, passando de 4,1 terawatts (TW) em 2025 para cerca de 8,4 TW. Por trás desta previsão existem várias forças económicas e tecnológicas que ajudam a explicar porque é que a transição energética está a ganhar velocidade.
A primeira tem a ver com o facto de a energia solar se ter tornado mais barata. Ao longo da última década, o custo dos painéis solares caiu drasticamente graças à produção em larga escala, sobretudo na China. Hoje, em muitas regiões do mundo, instalar energia solar é já uma das formas mais baratas de produzir eletricidade.
Não surpreende, por isso, que a energia solar tenha ultrapassado a eólica como principal fonte renovável de eletricidade. Em 2025, a produção global de energia solar atingiu cerca de 2.800 terawatts-hora (TWh), ligeiramente acima dos 2.770 TWh da energia eólica.
A China é o principal motor desta transformação. O país produziu cerca de 1.150 TWh de eletricidade solar num único ano, o equivalente a cerca de 41% da produção mundial.
Outro fator que ajuda a explicar a expansão das renováveis tem a ver com a inteligência artificial, cujos algoritmos avançados conseguem analisar enormes quantidades de dados meteorológicos e operacionais para prever a produção de energia, gerir baterias e equilibrar a oferta e a procura em tempo real. Na prática, a inteligência artificial funciona cada vez mais como o “cérebro” do sistema energético. Empresas como Vestas, ENERCON, JinkoSolar ou First Solar já utilizam estas ferramentas para aumentar a eficiência dos parques eólicos e solares, reduzir custos operacionais e melhorar a fiabilidade das infraestruturas.
Há ainda um terceiro fator a impulsionar a energia renovável: os centros de dados.
A explosão da inteligência artificial está a criar uma procura gigantesca por eletricidade. Treinar modelos de IA e operar grandes centros de dados exige quantidades enormes de energia, e as grandes empresas tecnológicas estão cada vez mais pressionadas a garantir que essa energia seja limpa.
Por isso, empresas como Google, Amazon ou Microsoft estão a assinar contratos de longo prazo com produtores de energia renovável para alimentar os seus centros de dados.
Em dezembro de 2025, por exemplo, a Google anunciou uma parceria com a NextEra Energy para desenvolver centros de dados dedicados à inteligência artificial alimentados por energia limpa. Já a Equinix está a investir em projetos de energia renovável próprios para abastecer as suas infraestruturas.
Se as previsões se confirmarem, o sistema energético mundial poderá ser radicalmente diferente dentro de apenas cinco anos. E a combinação entre energia limpa, inteligência artificial e novos padrões de consumo elétrico será uma das principais razões para essa mudança.
