A Omoda está a deixar de ser apenas mais uma marca chinesa a chegar ao mercado europeu. Em Portugal, a insígnia do universo Chery já passou a fase da curiosidade inicial e começa agora a jogar num patamar mais exigente: o da consistência. O novo Omoda 7 é uma peça importante nesse movimento, não só por se posicionar acima do Omoda 5, mas também por entrar num território onde os clientes olham para espaço, autonomia, equipamento e preço com particular atenção.
O novo SUV chega ao mercado nacional com uma proposta híbrida plug-in e uma ambição clara: disputar espaço no segmento D-SUV PHEV, onde a concorrência já inclui modelos estabelecidos de marcas europeias, japonesas, coreanas e chinesas. A diferença está na forma como a Omoda tenta construir o seu argumento. Em vez de apostar apenas no preço, junta uma motorização forte, autonomia elétrica relevante, muito equipamento de série e uma imagem suficientemente distinta para não passar despercebida.
Visualmente, o Omoda 7 segue uma linguagem mais madura do que a do Omoda 5. O sistema de iluminação LED contribui para uma assinatura visual marcante, enquanto as jantes de liga leve de 20 polegadas, as barras de tejadilho em preto e o tejadilho com efeito flutuante reforçam a ideia de um SUV pensado para parecer mais sofisticado do que familiar.

Com 4,66 metros de comprimento, 1,875 metros de largura e 1,67 metros de altura, o Omoda 7 posiciona-se claramente acima dos SUV compactos. A distância entre eixos de 2,72 metros promete bom aproveitamento interior, enquanto a bagageira anuncia 537 litros de capacidade, ou 401 litros consoante a medição utilizada, podendo chegar aos 1294 litros com os bancos traseiros rebatidos.
O interior segue esse mesmo caminho. O destaque vai para o ecrã central deslizante HD de 15,6 polegadas, uma solução pouco comum neste segmento e que pretende dar ao habitáculo um lado mais digital e diferenciador. Há também painel de instrumentos digital de 8,88 polegadas, head-up display, carregamento sem fios de 50 W, sistema de som Sony com oito altifalantes, comandos de voz, Bluetooth, rádio digital DAB e compatibilidade sem fios com Apple CarPlay e Android Auto.
O Omoda 7 inclui ainda os bancos dianteiros com regulação elétrica, memória, aquecimento e ventilação, apoio lombar elétrico, volante multifunções aquecido, teto panorâmico em vidro com cortina elétrica, ar condicionado automático de duas zonas com filtragem N95/PM2.5, iluminação ambiente multicolor, abertura elétrica da bagageira, vidros traseiros escurecidos e vidros de conforto acústico. Há ainda um compartimento de arrumação climatizado, detalhe pouco habitual e que reforça a atenção dada ao quotidiano.

90 km em modo EV
A mecânica é um dos pontos centrais do novo modelo. O Omoda 7 PHEV utiliza um motor a gasolina de quatro cilindros, com 1,5 litros turbo e 105 kW, associado a um motor elétrico também com 105 kW. Em conjunto, o sistema híbrido desenvolve 205 kW, o equivalente a 279 cv, e 365 Nm de binário. A transmissão é automática DHT e a tração é dianteira.
A bateria LFP tem 18,4 kWh de capacidade e permite uma autonomia elétrica combinada de 90 quilómetros, valor que pode chegar aos 124 quilómetros em ciclo urbano. Para uma utilização diária, isto significa que muitos trajetos casa-trabalho-casa poderão ser feitos sem recorrer ao motor a combustão, desde que exista rotina de carregamento. Em corrente alternada, o carregamento pode ser feito até 6,6 kW, demorando até 3,3 horas dos 10 aos 100%. Em corrente contínua, a potência máxima é de 40 kW, permitindo recuperar dos 10 aos 80% em cerca de 25 minutos.
Quando os dois mundos trabalham em conjunto, o Omoda 7 anuncia uma autonomia total WLTP de até 1200 quilómetros. O consumo combinado homologado é de 2,3 l/100 km, com emissões de CO2 de 53 g/km. São valores que, como sempre nos híbridos plug-in, dependem muito da utilização real e da frequência com que a bateria é carregada.
Em prestações, o SUV chinês acelera dos 0 aos 100 km/h em 8,4 segundos e atinge 180 km/h de velocidade máxima. Não são números pensados para impressionar pelo lado desportivo, mas chegam para uma condução familiar rápida e confortável. A suspensão traseira independente multilink, a direção assistida elétrica e os pneus 235/45 R20 completam a base técnica de um modelo que pretende equilibrar conforto, estabilidade e imagem.

O preço anunciado é de 44 900€
A aplicação para smartphone também faz parte da estratégia digital da marca, permitindo gerir o carregamento da bateria, controlar a climatização, consultar o estado geral do automóvel, localizar postos de carregamento e aceder a várias funções remotas. É um detalhe relevante num produto que se quer tecnológico, mas também uma ferramenta importante para quem pretende tirar melhor partido da componente elétrica.
O preço anunciado para Portugal é de 44 900 euros, colocando o Omoda 7 PHEV acima do Omoda 5 e abaixo do Omoda 9 PHEV dentro da gama da marca. É uma posição estratégica: suficientemente ambiciosa para entrar no segmento D-SUV, mas ainda competitiva face a alguns rivais com motorização híbrida plug-in e nível de equipamento comparável.
O contexto também joga a favor da Omoda e da Jaecoo. O grupo tem vindo a ganhar expressão em Portugal, com crescimento de quota ao longo dos primeiros meses do ano e uma rede que deverá chegar aos 26 pontos de venda até ao final do ano. Para uma marca ainda jovem no mercado nacional, essa capilaridade é essencial. O produto pode ser forte, mas sem rede comercial, assistência e confiança pós-venda, dificilmente se transforma numa escolha racional para clientes particulares e empresas.
Artigo por Rui Reis

