
O Sistema de Depósito e Reembolso arranca em Portugal e promete devolver 10 cêntimos por cada embalagem de plástico ou metal entregue, mas o impacto vai muito além do troco: pode alterar a forma como consumimos e descartamos.
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de plástico e de metal entra em funcionamento em Portugal esta sexta-feira e, à primeira vista, parece simples: compra uma bebida, paga mais 10 cêntimos e recupera esse valor quando devolve a embalagem. Mas o verdadeiro impacto não está tanto no valor, mas no comportamento.
A lógica do SDR baseia-se num princípio: aquilo que tem valor não é desperdiçado. Ao associar um custo recuperável à embalagem, o sistema transforma um objeto descartável num pequeno ativo. Esse objeto deixa de ser lixo imediato e passa a ser algo que “vale a pena guardar”.
É por isso que este tipo de sistema tem resultados consistentes noutros países, com taxas de recolha que rondam os 90%. Na prática, isto significa mudanças simples no dia a dia: guardar garrafas e latas em casa, levá-las de volta ao supermercado ou a um ponto de recolha e integrá-las numa rotina; assim se aproxima o comportamento individual de práticas mais eficientes de separação.
Ainda assim, o sistema não é perfeito. A associação ambientalista Zero aponta falhas importantes, como a exclusão do vidro e a ausência de mecanismos que promovam a reutilização, em vez do descarte.
Mesmo assim, o arranque do SDR marca uma mudança concreta: introduz um mecanismo económico direto no quotidiano, onde cada embalagem passa a ter um preço de abandono. Veremos agora como decorrerá a implementação do sistema e a adesão dos portugueses.
