
Se só pudesse escolher um automóvel para o resto da vida, provavelmente seria este. Não pelo luxo, nem pela tecnologia, mas porque o Toyota Land Cruiser continua a ser um dos poucos automóveis verdadeiramente preparados para tudo.
E quando dizemos tudo, não é força de expressão. Este jipe não se limita a resistir à cidade ou à lama, ele pura e simplesmente ignora-os. Segue em frente, como se fosse o último automóvel depois do colapso do mundo civilizado.
O último dos moicanos
A nova geração, agora apenas disponível em Portugal na versão VX‑L com motor 2.8D, mantém o espírito de sempre, mas com um salto real em conforto, rigidez estrutural e ajuda à condução.
Continua a ter chassis separado, tração integral permanente, bloqueio dos diferenciais traseiro e central, redutoras e, pela primeira vez, barra estabilizadora dianteira com desconexão eletrónica, que permite ganhar 10% em articulação das rodas.
Os ângulos de ataque (32°) e de saída (31°) são reveladores das suas capacidades, e a altura ao solo mantém-se nos 215 mm, fiel à filosofia old-school dos jipes puros e duros.
O motor é o conhecido 2.8D, sem qualquer sistema híbrido (existirá uma versão Mild Hybrid de 48V), com 204 cv e 500 Nm às 1600 rpm. Está associado a uma caixa automática de 8 velocidades que privilegia a suavidade.
Em estrada, a sensação ao volante é inconfundível: uma direção agora elétrica, mas precisa, revela um jipe que evoluiu sem perder identidade.
Claro que não é ágil, nem silencioso como um SUV alemão ou inglês topo de gama, mas transmite uma confiança inabalável. No meio do trânsito, impõe-se com uma presença quase militar, invulnerável, como se o resto do mundo fosse apenas um detalhe.
Até ao fim do mundo
E fora de estrada, o Land Cruiser continua a ser aquilo que os outros tentam imitar. Desde logo, o Monitor Multi-Terreno, o Selector Multi-Terreno e o Crawl Control as manobras mais técnicas em trilhos duros quase… fáceis.

Nada nele é decorativo: cada botão, cada sistema tem uma função pensada para quem realmente precisa de desempenho fora de estrada, seja em areia, lama, pedra, neve ou tudo misturado.
O conforto interior melhorou significativamente. Nesta versão VX‑L, há bancos em pele aquecidos e ventilados, regulação elétrica com memória, carregador wireless, head-up display, ecrã de 12,3” com integração Apple CarPlay e Android Auto sem fios, 14 colunas JBL, e até espelho retrovisor digital.
Mas o que marca é a sobriedade robusta: não há exuberância visual, mas sim materiais duráveis, ergonomia intuitiva e comandos físicos onde mais interessam. É um posto de condução para quem quer ir, e vai, longe.
Com sete lugares, uma bagageira prática e capacidade de reboque até 3500 kg, é uma proposta funcional para famílias, expedições ou trabalho duro.
E embora a Toyota ainda não comunique oficialmente o peso homologado em Portugal, os números apontam para mais de 2,4 toneladas, com um consumo médio de 10,2 l/100 km e emissões de 281 g/km de CO₂.
Nós nunca conseguimos baixar dos 11,5 l/100 km, um valor que, ainda assim, não choca sobremaneira, até porque também nunca nos refreámos nos desejos de aventura e de descoberta de novos mundos para o mundo, salvo o exagero…
Fatores que penalizam fortemente o valor final, colocando este modelo a partir dos 154 000€. Sim, leu bem, são mais de 150 000€ pelo novo Land Cruiser. Agradeça aos impostos nacionais, porque em aqui ao lado, em Espanha, custa metade (desde 87 000€).
Mas esta não é uma escolha racional, é existencial. Num mundo onde quase tudo é virtual, temporário ou programado para falhar, o Land Cruiser é uma raridade.
É um automóvel com capacidade real para enfrentar o mundo físico, o mundo difícil, onde os trilhos desaparecem, os caminhos são inóspitos e a única coisa que importa é seguir em frente.
Conduzir o Land Cruiser 250 é uma experiência visceral. Não há falsa leveza, nem som de motor artificial. Há ferro, um motor diesel fiável e sem grandes mariquices, suspensão a trabalhar no duro, pneus a escavar terreno…
É crú, sim. Mas há uma beleza profunda nisso. Na forma como nos isola do mundo e nos conecta com a essência de conduzir. De resistir. De seguir em frente não importa como.
Artigo por Rui Reis






