
A maioria dos jovens sente-se preparada para liderar a transição ecológica, mas continua a não ser ouvida pelos decisores políticos e empresariais
Os jovens querem ter voz na luta contra as alterações climáticas – e estão preparados para agir. No entanto, sentem-se muitas vezes desconsiderados pelas lideranças políticas e empresariais. É esta a principal conclusão do estudo “Young People’s Perspectives on Climate: Preparing for a Sustainable Future”, do Research Institute da Capgemini e do Generation Unlimited da UNICEF, que alerta para a urgência de integrar a juventude nas estratégias ambientais e económicas globais.
Segundo o relatório, 71% dos jovens a nível mundial acreditam que devem ter uma forte influência nas decisões políticas e legislativas relacionadas com o clima. Contudo, apenas menos de metade acredita que as suas opiniões são efetivamente tidas em conta.
Este desfasamento entre ambição e influência real levanta um desafio claro: como ultrapassar o fosso geracional para que as soluções para a crise climática sejam inclusivas e eficazes?
Uma juventude pronta a contribuir, mas pouco ouvida
O estudo apela a uma mudança de paradigma. Recomenda que os líderes locais e nacionais apoiem ativamente os jovens na promoção de soluções ambientais e no desenvolvimento de competências verdes. Isso implica, por exemplo, integrar de forma transversal a educação ambiental nos sistemas de ensino e alinhar as metas climáticas com estratégias de empregabilidade jovem.
Também as empresas devem criar mais “empregos verdes”, investir em projetos liderados por jovens e incorporar as suas vozes nas políticas de responsabilidade social, critérios ESG e estratégias de sustentabilidade.
Green Rising: dar ferramentas para agir
Exemplos de colaboração intergeracional e intersetorial já começam a surgir. Um deles é o movimento global Green Rising, liderado pela Generation Unlimited da UNICEF e apoiado por entidades públicas e privadas como a Capgemini. A iniciativa tem como meta capacitar 20 milhões de jovens até 2026, oferecendo-lhes oportunidades concretas de participação: desde voluntariado e ativismo, até empregos remunerados e apoio ao empreendedorismo sustentável.
Ao colocar os jovens no centro da ação climática local e global, projetos como este ajudam a preencher a lacuna entre aspiração e ação.
O apelo do estudo é claro: é preciso abrir espaço para os jovens não apenas como beneficiários das políticas ambientais, mas como cocriadores das soluções. Isso exige escuta ativa, investimento concreto e uma mudança de atitude.
