O título pode parecer brincadeira… mas não é. É apenas uma chamada de atenção para os dois mais famosos vinhos Moscatel que se fazem em Portugal, o Favaios, a Norte, e o Setúbal, na Península do mesmo nome.
Muitos apreciadores não sabem que, apesar de terem bastantes semelhanças, são feitos de diferentes castas de uva.

As videiras da casta Moscatel tem numerosas variantes em todo o mundo e dois dos principais tipos crescem em Portugal, nomeadamente o Moscatel Graúdo, também conhecido como Moscatel de Setúbal e cujo nome internacional é Moscatel de Alexandria, e o Moscatel Galego Branco (Muscat Blanc à Petits Grains), o tipo cultivado no Douro, nomeadamente na região do planalto de Alijó, num território bem delimitado entre Favaios, o lugar da Granja e algumas parcelas em Alijó, situando-se todas estas áreas acima dos 600 metros de altitude.
O Moscatel de Setúbal é criado nas históricas vinhas com Denominação de Origem Protegida (DOP) de Setúbal (demarcadas há mais de 100 anos), e estendem-se ao longo de 15 quilómetros ao norte, oeste e leste de Setúbal, nas colinas de calcário do Parque Natural da Serra da Arrábida, abrangendo os concelhos de Palmela, Setúbal e parte da freguesia de Nossa Senhora do Castelo do concelho de Sesimbra.
Em Setúbal também existe o que se pensa ser uma mutação do Moscatel Galego Branco, o Moscatel Roxo, bastante mais raro e que dá vinhos verdadeiramente deliciosos.
A videira da casta Moscatel Galego Branco pode ser encontrada praticamente em toda a região demarcada do Douro, mas é no extremo Norte do Cima Corgo, em torno das cidades de Alijó e Favaios, zona de planalto, que se produz o mais famoso, o de Favaios.
Noutras partes do Douro o vinho de uvas Moscatel é também utilizado para intensificar o aroma de Portos brancos mas isso são contas de outro rosário que não entram nesta história.

Favaios e Setubal têm muita coisa em comum, a começar pelo método de fabrico e a terminar no facto de ambos serem vinhos fortificados (licorosos) com uma percentagem de álcool entre 16,5 e 18%, podendo chegar ao 21º.
Vinhos para todas as bolsas
Recentemente surgiram no mercado dois vinhos Moscatel, um de Favaios e o outro de Setúbal. São dois vinhos com preços acessíveis, agradáveis, mas sem a complexidade dos grandes Moscatéis quer de uma região, quer de outra.
Mas. Valha a verdade, são estes moscateis mais simples os grandes campeões de vendas.
Vamos às novidades:
Adega de Favaios Moscatel do Douro Reserva é um blend de colheitas de vários anos. Apresenta um aroma com notas de laranja e alperce seco, bem como sugestões de aromas florais como a rosas e a tília. Na boca é suave e delicado, com a doçura bem equilibrada, fresco e elegante. O P.V.P. é de 12 euros.
José Maria da Fonseca lançou o primeiro generoso na gama João Pires. Esta marca da casa de Azeitão havia apenas estado disponível em branco e rosé, durante o meio século da sua existência. Trata-se do João Pires Moscatel de Setúbal 10 Anos.
De tom dourado carregado, tem notas de casca de laranja, alperce, nozes, mel e erva doce no aroma. Na boca realça a fruta, é suave e tem um final longo. P.V.P é de 20 euros
Nas gamas superiores, destaque para o Moscatel Colheita 1999 da Adega de Favaios, um vinho de um ano fora de série, com belo perfil aromático pleno de notas a flor de tília, a flor de laranjeira e citrinos. Muito rico na boca, fruto da longa evolução em barris de madeira. P.V.P. 70 euros.
De Setúbal destacamos o Alambre 40 Anos da José Maria da Fonseca. Trata-se de um vinho que estagiou em barricas entre 40 a 50 anos antes de ser engarrafado. No aroma tem notas de frutos secos, caramelo, figos e cravinho. Na boca tem um grande volume, com notas de canela e uva passa. O final é muito longo. P.V.P. 100 euros.
O CAMPEÃO DE VENDAS
O número de garrafas de vinho mais vendido em Portugal, com mais de 36 milhões de garrafas/ano, é um Moscatel, no caso o Favaíto da Adega de Favaios. É uma dose individual numa pequena garrafinha de meio decilitro. É um vinho de entrada de gama da marca (também comercializado em garrafas de 0,75), guloso, interessante, mas, obviamente, sem a grande estrutura dos topos de gama. Diz-se, por graça, que sendo um vinho simples, sem um grande final, as pessoas bebem um, esquecem-no depressa e rapidamente pedem outro!
