Loulé e Lagos reforçam peso do Algarve no segmento premium; interior mantém-se como alternativa mais acessível.
O Imovirtual divulga a análise dos concelhos relativa a fevereiro de 2026, avaliando a evolução dos preços médios anunciados de venda e arrendamento nos concelhos portugueses. Os dados confirmam um mercado claramente segmentado entre zonas premium consolidadas, polos turísticos em forte valorização e territórios do interior com valores mais acessíveis.
No mercado de arrendamento, Cascais mantém-se como o concelho mais caro do país, com uma renda média de 2.490€, apesar de uma ligeira variação anual de -2,4%. Segue-se Lisboa, com 1.840€ (+2,2% anual), reforçando o seu posicionamento no segmento premium.
O top 5 é ainda composto por Funchal e Loulé, ambos nos 1.700€, com crescimentos anuais de +3% e +4%, respetivamente, e por Oeiras, que atinge 1.670€, destacando-se pela valorização anual mais expressiva deste grupo (+11,3%).
Estes dados confirmam a consolidação do chamado “triângulo premium” da Área Metropolitana de Lisboa — Cascais, Lisboa e Oeiras — agora acompanhado por destinos turísticos de forte procura internacional, como Loulé e Funchal.
No extremo oposto, os valores mais acessíveis continuam concentrados no interior. Bragança apresenta a renda média mais baixa, nos 550€ (+4,8%), seguida da Guarda com 588€ (-2,1%). Portalegre fixa-se nos 600€, mas destaca-se pelo crescimento anual expressivo de +33,3%, sinalizando uma recuperação relevante. Vila Real surge nos 650€ (+30%), e Castelo Branco nos 662€ (+20,5%), ambos com crescimentos significativos apesar de continuarem entre os concelhos mais acessíveis.
A leitura revela dois movimentos distintos: estabilidade ou ligeiro ajustamento nos mercados premium e crescimento acelerado em alguns territórios do interior, ainda que a partir de bases mais baixas.
No mercado de compra, Cascais lidera destacadamente com um preço médio de 1.380.000€ (+22,9% anual), posicionando-se isoladamente no topo do mercado nacional.
O Algarve reforça o seu peso estratégico, com Loulé a atingir 847.000€ (+27,4%) e Lagos nos 695.000€ (+9,9%), confirmando a forte dinâmica da procura internacional e do segmento de segunda residência.
Oeiras fixa-se nos 725.000€ (+5,1%), enquanto Lisboa regista 712.439€ (+4%), consolidando o eixo de maior valorização da Área Metropolitana de Lisboa.
Entre os concelhos com preços médios mais baixos, Portalegre apresenta 150.000€ (+20%), Bragança fixa-se nos 165.000€ (-2,4%), Beja nos 179.000€ (+14,6%), Vila Real nos 259.950€ (+7,3%) e Angra do Heroísmo nos 265.000€, destacando-se pelo crescimento anual muito expressivo de +65,6%, um dos mais elevados do país.
Os dados confirmam que, apesar da distância significativa entre mercados premium e mercados do interior, existem concelhos fora dos grandes centros a registar ritmos de valorização muito relevantes.
A análise dos concelhos evidencia um mercado profundamente assimétrico. Cascais é atualmente o único concelho a ultrapassar claramente a fasquia dos 1,3 milhões de euros na venda e dos 2.400€ no arrendamento, posicionando-se isoladamente no topo do mercado nacional.
Logo abaixo, forma-se um bloco premium composto por Lisboa, Oeiras e polos turísticos do Algarve e da Madeira. Em contraste, os concelhos do interior mantêm-se como as opções mais acessíveis do país, ainda que alguns revelem crescimentos anuais acima dos 20% e 30%, sinalizando uma redistribuição gradual da procura.
“A leitura concelhia mostra que o mercado imobiliário português está cada vez mais segmentado. Temos um núcleo premium muito consolidado, com valores claramente acima da média nacional, e simultaneamente territórios onde os preços continuam significativamente mais acessíveis, mas com ritmos de crescimento elevados. Esta diferenciação territorial é hoje uma das principais características do mercado”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
O barómetro de fevereiro confirma, assim, um mercado dividido entre zonas de forte consolidação e territórios em expansão, onde a valorização começa a ganhar expressão, ainda que a diferentes ritmos.
