
O novo projeto da família Symington no Alentejo chama-se Quinta da Fonte Souto, fica na região da Serra de Portalegre e é um verdadeiro encanto.
Tivemos oportunidade de visitar a quinta, de experimentar o conforto do alojamento (sim, é uma unidade de enoturismo) e de provar o seu vinho mais icónico, se seu nome Taifa.
Comecemos a história com um dito muito engraçado de Charles Symington, a propósito da compra da Quinta da Fonte Souto: “A viagem do Porto a Portalegre levou 135 anos”. Na verdade, Andrew James Symington, o primeiro da família a chegar a Portugal, fê-lo em 1882, com apenas 19 anos. E desde aí até 2017 os negócios do clã sempre se fizeram na região do Douro/Porto.
Segundo Charles Symington, “na Quinta da Fonte Souto, situada na sub-região de Portalegre no Alto Alentejo, acreditamos ter encontrado todas as condições que procurávamos. É uma propriedade com um potencial vínico fantástico, situada nas encostas da Serra de São Mamede, a norte da planície alentejana e o nosso objetivo é o de produzir uma gama distintiva de vinhos de quinta que exibam o melhor de Portalegre, do Alentejo e de Portugal. É um projeto de longo prazo no qual pretendemos colocar no mapa o terroir único desta sub-região, para os amantes do vinho em Portugal e noutras partes do mundo”.
A propriedade situa-se dentro do Parque Natural da Serra de São Mamede, entre os 490 e os 550 metros de altitude. Beneficia de condições mais frescas do que a planície alentejana, com maiores níveis de precipitação, condições que diferenciam os vinhos de Portalegre.
Os solos são de xisto e granito, proporcionando produções equilibradas de uvas de qualidade oriundas de vinhas com alguma idade. A propriedade, que tem uma história de forte ligação à comunidade local, possui uma tradicional casa de herdade e uma grande variedade de área arborizada que inclui cerejal, olival, souto e montado de sobro, ocupando uma área de 207 hectares, dos quais 55 hectares plantados com vinha. Neste momento estão a ser regenerados 100 hectares de floresta na com espécies de árvores autóctones portuguesas, que proporcionam um refúgio para a biodiversidade e resistência aos incêndios florestais.
Uma nota muito especial para a enorme sala do complexo, com uma grande parede em vidro de onde se tem uma vista de sonho para a Serra de Portalegre.
Taifa era o nome que se dava aos pequenos principados e reinos da Península Ibérica criados durante a presença Moura, nome agora herdado pelo vinho Taifa um branco blend de 70% de uvas Arinto e 30% de uvas Verdelho.
Depois de prensadas a baixa pressão, o mosto arranca a fermentação em cubas de inox, mas imediatamente após o início da fermentação alcoólica, parte dos mostos são transferidos para barricas de carvalho de 500 litros (esta maior capacidade permite minimizar o impacto da madeira sobre a componente aromática). Pretende-se uma maior incorporação de borras finas com vista à produção de vinhos com maior complexidade aromática e volume de boca. Os mostos são mantidos em contacto com as borras de fermentação com recurso a bâtonnage frequente (três vezes por semana até Dezembro, duas vezes por semana durante a Primavera, reduzindo-se depois na parte final do estágio) de modo a promover a extração dos compostos libertados, os quais conferem volume e untuosidade que equilibram muito bem com a acidez natural das uvas da Serra de São Mamede.
Com um aroma super agradável, com notas de madressilva e sugestões de mar, ligeira pederneira e um toque de baunilha. Na boca sobressaem notas de cremosas de damasco e marmelo e um toque subtil de mel, tudo bem equilibrado por uma boa acidez.
82€ | Álc. 13,5% | Acid. Tot. 5,5 g/l | pH 3,31| Açu. resid. 0,8 gr/l