
Com a saída dos EUA do Acordo de Paris, as consequências para o combate às alterações climáticas sofrem um revés.
O presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP30 que vai decorrer no Brasil, no final do ano), André Corrêa do Lago, entende que a saída dos EUA do Acordo de Paris terá “um impacto significativo na preparação da COP” que vai decorrer entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, na cidade de Belém, estado do Pará.
E embora os EUA continuem membros da Convenção do Clima, o que significa que “há vários canais que permanecem abertos (…) não há menor dúvida de que é um anúncio político de muito impacto”, salienta o responsável brasileiro e secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores do Brasil desde 2023, assumindo que terá de “lidar com o facto de que um país tão importante [como os EUA] se estar a desligar deste processo”.
Em dezembro último, na reta final do seu mandato, Joe Biden apresentou uma nova meta (mais ambiciosa) que definia que o país reduziria a poluição climática em até 66% abaixo dos níveis de 2005 até 2035. Com Trump, esta meta irá ser agora revista em baixo.
O novo presidente quer aumentar significativamente a produção de combustíveis fósseis dos EUA, o que é algo frontalmente contra os objetivos de redução de emissões de CO2 causadoras de efeito de estufa. Os Estados Unidos são o segundo maior poluidor do mundo, a seguir à China.
A próxima COP30 será um novo momento crucial para o mundo que ali se reunirá tentar garantir medidas concretas para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, estabelecido no Acordo de Paris em 2015.
O acordo prevê uma série de metas para a redução de emissões de gases do efeito estufa, cuja implementação tem sofrido atrasos e resistências, ao mesmo tempo que o aquecimento global não diminui. Em janeiro, o centro europeu Copernicus informou que o ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5°C de aumento na temperatura média da Terra face os níveis pré-industriais.
E em dezembro, a ONU alertou para o facto de as atuais políticas climáticas colocarem o mundo no caminho para um aquecimento de 3,1ºC até 2100.
A COP30 no Brasil terá de resolver questões que têm suscitado muitas divergências e que estão pendentes, designadamente o financiamento aos países em desenvolvimento e que, segundo especialistas de todo o mundo, se tornarão mais difíceis já que o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris num dos primeiros atos administrativos que assinou depois da posse, na anterior segunda-feira, como já havia feito em 2017, durante o seu primeiro mandato.
