
Associações ambientalistas sublinha que decisão do Congresso espanhol de permitir que lobos voltem a ser caçados é um “retrocesso histórico”.
O Parlamento espanhol aprovou uma proposta que permite que os lobos voltem a poder ser caçados em Espanha, ao norte do rio Douro, naquilo que é uma decisão já rotulada de “retrocesso histórico” pelas associações ambientalistas.
Por iniciativa do Partido Popular (PP, de direita e maior força da oposição parlamentar em Espanha), o lobo saiu da Lista de Espécies Silvestres em Regime de Proteção Especial (conhecida como Lespre) no caso de territórios a norte do rio Douro. Além do PP, votaram a favor Vox (extrema-direita espanhola), Juntos pela Catalunha (independentistas catalães) e Partido Nacionalista Basco (PNV, na sigla em espanhol).
O lobo-ibérico era uma espécie protegida em toda a Espanha desde setembro de 2021, quando entrou na referida Lespre (“Listado de Especies Silvestres en Régimen de Protección Especial”).
Os quatro partidos que aprovaram a alteração legislativa justificaram o seu “sim” à medida devido aos ataques de lobos a gado e a pessoas, alegando até que Espanha se adianta a uma diretiva europeia que vai qualificar o lobo como “espécie gestionável” em toda a União Europeia.
A desproteção do lobo em Espanha, com a retirada da espécie da Lespre, foi já criticada por várias associações de defesa do ambiente e dos animais, que consideraram a decisão do parlamento um “retrocesso histórico”:
“O Congresso [parlamento] assinou hoje um capítulo negro da história da conservação da natureza em Espanha, desprotegendo o lobo pela porta das traseiras sem qualquer apoio científico”, disse a associação WWF, através do seu secretário-geral, Juan Carlos del Olmo.
Para a WWF, ficou hoje aberta a possibilidade de “matanças indiscriminadas” de lobos em Espanha, por parte dos governos regionais, como acontecia até 2021.
O secretário-geral da WWF lembrou que o governo autónomo da Cantábria, por exemplo, já anunciou que pretende autorizar a caça de 40 lobos sem “justificação científica”, aponta a associação.
A Comissão Europeia apresentou em 07 de março uma proposta para alterar o estatuto dos lobos de “estritamente protegidos” para apenas “protegidos”, permitindo a cada país do bloco comunitário “flexibilidade adicional” para controlar as populações destes animais.
Em comunicado, o executivo de Ursula von der Leyen anunciou que a alteração foi feita ao abrigo da Convenção de Berna, que começou a ser aplicada a partir de quinta-feira, dia 20 de março.
