
Investigadores internacionais acreditam que 2026 poderá tornar-se um dos piores anos recentes em incêndios florestais. Alterações climáticas, períodos extremos de seca e o possível regresso do fenómeno El Niño estão a criar condições para uma época mais intensa e mais difícil de controlar.
Os incêndios florestais não são um fenómeno novo. Sempre existiram em várias regiões do planeta. O que está a mudar é a frequência, a dimensão e a intensidade com que acontecem.
Um novo alerta de investigadores do Imperial College London aponta precisamente nesse sentido. Segundo os cientistas, 2026 já começou com níveis anormais de área ardida em todo o mundo e pode tornar-se um ano “particularmente severo” para incêndios florestais.
Até 6 de maio de 2026, arderam cerca de 163 milhões de hectares a nível global, muito acima da média registada desde 2012. Só em África, a área consumida pelo fogo atingiu 85 milhões de hectares, um novo máximo histórico.
Mas porque é que isto está a acontecer?
Uma das explicações passa pelas alterações climáticas. O aumento das temperaturas médias torna os solos e a vegetação mais secos durante mais tempo. Quando surgem ondas de calor ou períodos prolongados sem chuva, qualquer ignição pode transformar-se rapidamente num incêndio de grande dimensão.
Os investigadores falam também de um fenómeno chamado “efeito chicote climático”. Na prática, significa que algumas regiões alternam entre chuvas intensas e secas extremas. A chuva faz crescer vegetação em abundância. Mais tarde, quando chegam temperaturas elevadas e falta de humidade, essa vegetação transforma-se em combustível.
A isto junta-se agora a possibilidade de regresso do El Niño.
O El Niño é um fenómeno climático natural ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Apesar de acontecer longe da Europa, influencia o clima em várias partes do planeta. Dependendo da intensidade, pode aumentar o calor e reduzir a precipitação em regiões particularmente vulneráveis aos incêndios.
Segundo Theodore Keeping, investigador do Imperial College London, um El Niño forte poderá criar condições “muito quentes e secas” na Austrália, no Canadá, em partes dos Estados Unidos e na Amazónia.
Os cientistas sublinham que o problema não está apenas nos incêndios em si, mas também nas consequências que deixam para trás. Além da destruição de ecossistemas, os fogos libertam enormes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera, agravando o aquecimento global e alimentando um ciclo difícil de travar.
Ao mesmo tempo, as florestas continuam a diminuir. Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que o planeta perdeu mais de 41 milhões de hectares de floresta entre 2015 e 2025. Uma parte importante dessa perda corresponde a florestas primárias, ecossistemas praticamente intocados pela atividade humana e fundamentais para a biodiversidade.
As florestas desempenham um papel central na regulação do clima. Funcionam como reservatórios naturais de carbono, ajudam a estabilizar temperaturas, protegem solos e influenciam os ciclos da água.
Segundo a ONU, as florestas do planeta armazenam cerca de 172 toneladas de carbono por hectare e acolhem a maioria das espécies de anfíbios, aves e mamíferos existentes no mundo.
Os investigadores defendem que reduzir o risco de mega incêndios passa por várias frentes ao mesmo tempo: gestão florestal mais eficiente, combate à desflorestação, investimento em prevenção e redução das emissões que aceleram o aquecimento global.
