
Os portugueses dizem-se preocupados com o ambiente e afirmam que querem adotar práticas mais ecológicas, mas na hora da verdade, vários obstáculos impedem que sejam “ecofriendly”.
A ConsumerChoice realizou um inquérito em que procurou identificar as tendências e hábitos de sustentabilidade dos portugueses no âmbito da sua iniciativa Escolha Sustentável.
A análise revela uma consciência ambiental crescente por parte dos consumidores, e um esforço coletivo para adotar estilos de vida mais responsáveis. Contudo são ainda evidentes os obstáculos que dificultam a mudança de hábitos e comportamentos.
No que diz respeito ao setor de transportes e mobilidade, as dificuldades em adotar um estilo de vida sustentável resultam da falta de alternativas públicas e do custo das opções mais ecológicas. Ao escolher o seu meio de transporte, 49% dos inquiridos tem em consideração o impacto ambiental e 39% afirma ter isso em consideração, mas às vezes. No entanto, 54% indica o automóvel próprio como o seu meio de deslocação mais frequente. Os transportes públicos (27%) e andar a pé (14%) são também citados pelos entrevistados.
Para grande parte dos que responderam ao inquérito, os valores mais associados à sustentabilidade são a saúde e bem-estar e a justiça social (cerca de 70%), seguidos pela ética nos negócios (53%). Só metade dos inquiridos atribuiu elevada importância a conceitos como: consumo responsável, direitos dos animais e sustentabilidade ambiental (50%).
De acordo com o estudo, a alimentação é a vertente que desperta maior preocupação entre os consumidores (20%), desde o momento da escolha dos produtos, ao do consumo consciente, especialmente no esforço para evitar o desperdício. Dos inquiridos, 39% preocupa-se frequentemente com a origem dos alimentos que consome e 22% está sempre atento a esta questão. No entanto, esta é também a área que enfrenta os maiores desafios, com obstáculos como o preço elevado, oferta reduzida e pouco acessível de produtos sustentáveis.
Embora 51% considere critérios éticos ou ambientais ao comprar roupa, o setor da moda e vestuário é o segundo mais mencionado (17%) no que diz respeito à dificuldade em consumir de forma “consciente”. Isto está relacionado com o número limitado de opções no mercado, pois quando há produtos mais ecológicos são por vezes inadequados às necessidades ou muito caros. Além disso, o mercado da fast fashion continua a ser mais acessível, tornando assim difícil a transição para opções ecológicas.
Quando questionados sobre quais os fatores que mais influenciam no momento da compra, 48% dos portugueses dão prioridade à qualidade e 34% ao preço. Apenas 11% refere o impacto ambiental ou social como critério decisivo. Ainda assim, os consumidores mostram-se dispostos a pagar mais por produtos que sejam justos, ecológicos e de produção local. Somente 7% afirma não estar disposto a pagar qualquer valor adicional por este tipo de artigos.
A estes fatores junta-se ainda a desconfiança face ao greenwashing, com muitos dos inquiridos céticos quanto à veracidade das alegações ambientais feitas por diversas empresas, o que reduz a confiança em produtos classificados como sustentáveis.
