Sébastien Ogier voltou a fazer história no Vodafone Rally de Portugal ao conquistar a sua sétima vitória na prova portuguesa – um número que diz tudo sobre o domínio, consistência e classe do francês. Aos 41 anos, o piloto da Toyota continua a escrever capítulos de excelência no Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), com esta a ser já a 63.ª vitória da sua carreira. E, como se isso não bastasse, mantém-se como um dos rostos da invencibilidade da Toyota em 2025.
Quase tudo igual… mas decidido ao segundo
Foi um daqueles fins de semana em que o relógio falou mais alto. Ogier terminou com apenas 8,7 segundos de vantagemsobre Ott Tänak (Hyundai), o piloto que mais especiais venceu (12), mas que viu o azar bater-lhe à porta quando a direção assistida cedeu. Ainda assim, foi um Tänak combativo até ao fim: “Ou regressava a casa com o segundo lugar ou com o volante na mão”, resumiu. Resultado: uma luta de titãs, decidida ao segundo, com mais de um milhão de fãs nas bermas a assistir de perto.

Rovanperä e Neuville: os campeões também falham
O campeão do mundo em título, Kalle Rovanperä, fechou o pódio, mas não sem um sabor agridoce. “Faltou-nos aderência, andamento, ritmo”, confessou. Já Thierry Neuville, sempre competitivo, foi apenas quarto e lamentou: “Merecíamos mais.”
A Toyota continua, no entanto, em modo “máquina de vencer”: cinco carros entre os seis primeiros, com Evans, Katsutae o jovem Pajari a reforçarem a força da equipa japonesa.
Nas categorias secundárias, brilhou Oliver Solberg, filho da lenda Petter Solberg, que venceu pela primeira vez o WRC2 em Portugal ao volante do Toyota GR Yaris Rally2. Foi rápido, inteligente e determinado. “Nunca vi tantos fãs nas especiais”, disse no final. Não foi o único a destacar o ambiente épico do rali.

Já no FIA Junior WRC, o australiano Taylor Gill resistiu à pressão do sueco Mille Johansson e levou o triunfo para casa – com direito a vitória no WRC3, também.
Portugal em modo paixão
Entre os portugueses, destaque para Armindo Araújo, que voltou a ser o melhor piloto nacional (14.ª vez!), terminando no 26.º lugar da geral. Para quem ainda acredita que os ralis são só sobre carros a levantar pó, vale a pena ouvir o desabafo de Diogo Salvi, 29.º classificado e terceiro melhor português: “Ela odeia ralis, mas esta noite vai ter um jantar tête-à-tête com champanhe”, disse, referindo-se à mulher que o esperava em casa. Sim, há ralis e depois há vida. E quando se vive com esta paixão, tudo faz sentido.
Artigo por Rui Reis
