
Várias organizações não governamentais de ambiente consideram que as metas climáticas estão em maior risco de incumprimento, depois do acordo de tarifas entre EUA/UE.
O acordo de tarifas alcançado entre a União Europeia e os EUA está a deixar os ambientalistas preocupados. Tudo porque o ponto central do acordo, uma promessa de 700 mil milhões de euros para comprar combustíveis fósseis e energia nuclear dos EUA nos próximos três anos, é “incompatível com as metas climáticas da União Europeia (UE) para 2030”, destaca a associação Zero, uma das ONG Ambientais que já se manifestou contra esta medida.
Fazendo uma análise dos números que estão a ser avançados, Francisco Ferreira, presidente da Zero, é importante ter em conta que “a alegação de que estes volumes de importações energéticas dos EUA substituirão as importações russas não é credível. De acordo com o Eurostat, os EUA já detêm uma quota de 50% do mercado de gás natural liquefeito (GNL) da UE. Mesmo substituindo totalmente os restantes 17% fornecidos pela Rússia, isso acrescentaria apenas cerca de 9 mil milhões de euros anualmente — apenas 2,5% do total das importações energéticas da EU”.
O dirigente associativo destaca ainda que em 2024, as importações totais de energia da UE foram avaliadas em cerca de 370 mil milhões de euros: “Mesmo nos cenários mais radicais, a transferência das importações de petróleo e gás para os EUA renderia menos de 100 mil milhões de euros adicionais por ano — muito aquém da meta de 250 mil milhões de dólares/ano anunciada no acordo”.
“Num momento em que a UE deve investir numa maior utilização de renováveis e na suficiência energética como meios para aumentar a sua resiliência ambiental e económica, este suposto acordo comercial agora firmado vem aumentar a dependência dos combustíveis fósseis (importados), pôr em perigo os objetivos de descarbonização (que já ficam aquém do que a ciência indica que seria necessário) e dar um sinal contrário à sociedade e aos mercados”, salienta Francisco Ferreira.
As associações ambientalistas, entre as quais a Zero e todas as que se integram na EEB (European Environmental Bureau – Gabinete Europeu do Ambiente), a maior rede de organizações não governamentais de ambiente da Europa, apelam ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros para que analisem e rejeitem quaisquer elementos do acordo que prejudiquem os objetivos climáticos, a soberania energética ou a credibilidade internacional da Europa.
