
A conferência internacional “Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis”, organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos em Santa Marta, reuniu 57 países e mais de 1.500 participantes e reforçou que abandonar os combustíveis fósseis é hoje uma necessidade económica, energética e estratégica.
A conferência internacional “Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis”, realizada em Santa Marta, na Colômbia, de 24 a 29 de abril último, juntou 57 países, 13 grupos de interesse e mais de 1.500 participantes para discutir um tema que está no centro da economia global: como reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão.
Organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos, a iniciativa foi criada para dar continuidade aos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e acelerar a implementação prática da chamada transição energética. Ao contrário de outras cimeiras, o objetivo não foi definir novas metas, mas perceber como concretizar as que já existem.
As discussões centraram-se em três grandes eixos: reduzir a dependência económica dos combustíveis fósseis, transformar a forma como a energia é produzida e consumida e reforçar a cooperação internacional.
A Colômbia, enquanto país anfitrião, colocou em cima da mesa uma ideia-chave: o abandono progressivo dos combustíveis fósseis deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a ser também uma questão de segurança e estabilidade.
Os acontecimentos recentes no Médio Oriente ajudam a perceber porquê: a instabilidade na região afetou o fornecimento global de energia e expôs a dependência de muitos países em relação a combustíveis fósseis importados, num contexto em que cerca de 75% do mundo depende dessas fontes.
Na prática, a transição energética passa por substituir fontes poluentes por alternativas mais limpas, como solar ou eólica, mas também por mudar a forma como a energia é utilizada. Isso inclui setores como transportes, indústria ou habitação, onde a eletrificação e a eficiência energética ganham cada vez mais relevância.
Os números ajudam a perceber que a mudança tem de acontecer: os combustíveis fósseis continuam a ser responsáveis por mais de 75% das emissões globais de gases com efeito de estufa, mas as energias renováveis estão a crescer rapidamente e já respondem por grande parte da nova procura energética.
O investimento acompanha essa tendência: em 2024, o financiamento global para a transição energética atingiu cerca de 2,4 biliões de dólares, mais do dobro do registado em 2019.
A conferência de Santa Marta procurou traduzir este contexto em ações concretas. Foram definidos cinco resultados principais, incluindo a realização de uma segunda conferência em 2027, a criação de um grupo internacional de coordenação e o desenvolvimento de linhas de trabalho para acelerar a redução da dependência dos combustíveis fósseis.
Outro dos passos foi o lançamento do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET, Science Panel for the Global Energy Transition), que vai apoiar os governos com base em dados científicos e ajudar a ultrapassar barreiras económicas, legais e técnicas.
Segundo os organizadores, os países presentes representam cerca de 30% da procura energética global e 20% da oferta, o que dá uma ideia do peso desta coligação no sistema energético mundial.
Apesar disso, a ausência de grandes emissores como Estados Unidos, China ou Rússia foi notada e mostra que a transição não está a acontecer (nem está a ser encarada) ao mesmo ritmo e da mesma forma em todo o mundo.
