
Durante muitos anos, o Nissan LEAF foi uma espécie de ponto de partida para quem queria entra no universo do automóvel elétrico. Chegou cedo, antes de o tema se tornar inevitável, e ajudou a normalizar uma ideia que parecia distante: a de um carro familiar, silencioso, simples de usar e sem emissões locais. Agora, na sua terceira geração, o LEAF regressa com outro corpo, outra tecnologia e uma missão mais exigente.
O novo Nissan LEAF já está disponível em pré-venda em Portugal, tanto online como através da rede de concessionários da marca. A campanha de lançamento fixa o preço de entrada nos 29.990 euros + IVA e inclui, para os primeiros clientes, três anos de manutenção. A pré-reserva é feita mediante o pagamento de um sinal de 300 euros, garantindo prioridade no processo de encomenda e acesso às condições especiais de lançamento.

Mais do que uma evolução estética, esta nova geração representa uma mudança de posicionamento. O LEAF afasta-se da imagem de compacto elétrico essencialmente urbano e assume-se como uma proposta mais madura, com argumentos para utilização diária, viagens familiares e deslocações mais longas. A silhueta é agora mais aerodinâmica e próxima do universo crossover, procurando conciliar eficiência, presença visual e versatilidade.
A grande notícia está, naturalmente, na autonomia. O novo LEAF será proposto com duas opções de bateria: 52 kWh e 75 kWh. Na versão de maior capacidade, a Nissan anuncia até 622 km de autonomia, valor que coloca este modelo num patamar muito diferente daquele que marcou as primeiras gerações. O carregamento rápido chega aos 150 kW, permitindo recuperar até 417 km em cerca de 30 minutos, de acordo com os dados comunicados pela marca.

Este salto técnico é acompanhado por uma nova unidade de propulsão elétrica 3 em 1, que integra motor, inversor e redutor num único conjunto. A solução permite reduzir peso e volume, ao mesmo tempo que melhora a eficiência energética e a resposta dinâmica. Para o condutor, isto deve traduzir-se numa experiência mais fluida, mais silenciosa e mais convincente em estrada aberta, sem abdicar da suavidade que sempre caracterizou o LEAF.
A bordo, a Nissan reforça também a componente tecnológica. O modelo integra sistemas avançados de assistência à condução, incluindo Cruise Control Inteligente, assistência à manutenção na faixa de rodagem e, nas versões equipadas para tal, funcionalidades associadas ao ProPILOT Assist com Navi-link. A conectividade também ganha protagonismo, com integração de Apple CarPlay e Android Auto, serviços remotos através da aplicação NissanConnect e uma experiência digital mais alinhada com as expectativas atuais.

A vertente familiar não foi esquecida. O novo LEAF mantém cinco lugares e anuncia uma bagageira de 437 litros, um valor interessante para um automóvel elétrico compacto. A Nissan destaca ainda equipamentos como bomba de calor, carregador de bordo de 11 kW e funcionalidade V2L, que permite alimentar dispositivos elétricos externos a partir da bateria do veículo.
Quinze anos depois de ter ajudado a abrir caminho, o LEAF regressa com outra confiança. Já não é apenas o elétrico que antecipou o futuro. É, agora, um automóvel que tenta responder ao presente com argumentos concretos. E isso, no mundo elétrico de 2026, talvez seja mais importante do que qualquer discurso futurista.
Artigo por Rui Reis
