
Portugal entrou esta quinta-feira em sobrecarga ecológica, o momento em que o país esgota os recursos naturais disponíveis para todo o ano. A partir de agora, os portugueses passam a consumir mais do que aquilo que a natureza consegue regenerar, num desequilíbrio onde alimentação, consumo e mobilidade têm um peso decisivo.
Foram precisos apenas 127 dias para Portugal gastar os recursos naturais que teria disponíveis para todo o ano de 2026. A conclusão é da Global Footprint Network, organização internacional que calcula anualmente o chamado “Dia da Sobrecarga”.
Na prática, no caso português, isto significa que, a partir de 7 de maio, o país entra em “dívida ambiental”: continua a consumir recursos, produzir resíduos e emitir dióxido de carbono acima da capacidade de regeneração do planeta.
O cenário melhorou ligeiramente face ao ano passado, quando a data foi assinalada a 5 de maio, mas continua longe de um equilíbrio sustentável. Aliás, se toda a população mundial vivesse segundo os padrões médios portugueses, seriam necessários cerca de 2,9 planetas Terra.
A associação ambientalista Zero aponta o atual modelo de produção e consumo como principal causa do problema. E isso inclui escolhas muito presentes no quotidiano, desde a alimentação às deslocações ou à forma como os produtos são comprados e descartados.
No caso da alimentação, os dados citados pela associação mostram que cada português consome cerca de três vezes mais proteína animal do que o recomendado na roda dos alimentos, além de ingerir menos leguminosas, vegetais e fruta do que o aconselhado. Aproximar a dieta de um padrão mais equilibrado pode, por isso, reduzir significativamente o impacto ambiental associado à alimentação.
Também a lógica de consumo rápido e descartável continua a pesar na pegada ecológica. A Zero defende uma mudança de paradigma, substituindo o modelo de “usar e deitar fora” por hábitos centrados na durabilidade, reparação, reutilização e compra em segunda mão.
A mobilidade surge igualmente entre os setores mais críticos. A organização ecologista recomenda privilegiar transportes coletivos, deslocações a pé ou de bicicleta e reduzir viagens de avião sempre que possível.
Portugal mantém-se próximo da média da União Europeia, cujo “Dia da Sobrecarga” aconteceu este ano a 3 de maio. Entre os extremos europeus, o Luxemburgo esgotou os seus recursos logo a 17 de fevereiro, enquanto a Hungria só deverá atingir essa marca a 24 de junho.
A nível global, o Qatar foi o primeiro país a entrar em défice ambiental este ano, a 4 de fevereiro. Nas Honduras, a data só deverá chegar a 27 de novembro.
