
Num segmento onde o excesso já é a norma, a Lamborghini decidiu ir mais longe, não em volume, mas em intenção. O Urus SE “Tettonero” Capsule não tenta reinventar o conceito de Super SUV; refina-o até ao ponto em que cada unidade se torna praticamente irrepetível.
Limitado a 630 exemplares, este Urus nasce de uma lógica muito clara: oferecer ao cliente não apenas um automóvel, mas um exercício de identidade. A personalização atinge aqui um nível raro, com mais de 70 combinações possíveis entre cores, acabamentos e detalhes.
A assinatura visual é marcada pelo contraste. Tons como Verde Mercurius ou Viola Pasifae ganham profundidade quando combinados com o Nero Shiny, que percorre a zona superior da carroçaria. O resultado é um objeto com presença quase cénica, pensado para ser visto tanto quanto conduzido.

No interior, a abordagem mantém-se coerente. A fibra de carbono surge sem concessões, integrada num ambiente onde a pele e a microfibra assumem um papel funcional e sensorial. Cada linha, cada textura, cada contraste cromático contribui para uma atmosfera que oscila entre o cockpit de competição e um espaço de luxo contemporâneo.
Mas é na mecânica que este Urus revela a sua verdadeira evolução. O sistema híbrido combina um V8 biturbo com um motor elétrico, atingindo 800 cv e 950 Nm. Mais do que os números, importa a forma como são geridos: entrega imediata, progressiva, sem a quebra típica de soluções híbridas menos refinadas.

A possibilidade de condução em modo 100% elétrico durante mais de 60 km introduz uma nova dimensão ao modelo. Não se trata apenas de eficiência, é uma mudança de carácter. O Urus passa a ter duas personalidades distintas, ambas válidas, ambas utilizáveis.
Em andamento, a eletrónica faz o resto. O sistema de repartição de binário e o diferencial traseiro ativo permitem uma leitura constante da estrada, ajustando o comportamento em tempo real. O resultado é um SUV que disfarça massa e dimensões com uma eficácia pouco comum, mantendo uma ligação ao condutor que continua a ser uma das assinaturas da marca.
Artigo por Rui Reis
