
A marca Geely estreia-se em Portugal com duas propostas eletrificadas, mas com filosofias bem diferentes: o E5, 100% elétrico, e o Starray EM-i, um híbrido plug-in pensado para quem ainda não quer (ou não pode) dar o salto definitivo.
Geely E5: o elétrico “sem complicações”
No caso do Geely E5, estamos perante um SUV 100% elétrico construído sobre a nova arquitetura GEA, com uma configuração técnica simples e bem afinada. O motor elétrico entrega 160 kW, ou 218 cv, às rodas dianteiras, privilegiando a eficiência e a previsibilidade de comportamento. A bateria de 60,22 kWh, com química LFP (lítio-ferro-fosfato), não procura recordes de densidade energética, mas oferece vantagens claras em termos de durabilidade, estabilidade térmica e resistência a ciclos intensivos de utilização.
O resultado traduz-se numa autonomia até 430 km em ciclo WLTP, um valor que, sendo equilibrado, responde de forma consistente às necessidades do dia a dia, sem entrar em exageros teóricos difíceis de replicar em utilização real.
Starray EM-i: a ponte entre dois mundos
Já o Starray EM-i segue uma lógica técnica diferente, mais complexa, mas também mais abrangente. Trata-se de um SUV híbrido plug-in com um sistema “Super Hybrid” pensado para maximizar a eficiência global, combinando motor elétrico e térmico de forma inteligente.
Os números são claros: autonomia combinada até 1055 km e consumos anunciados de apenas 1,4 l/100 km. Mais do que valores de homologação, o que está em causa é a capacidade de adaptação a diferentes cenários de utilização. Em meio urbano, o sistema privilegia a condução elétrica, reduzindo consumos e emissões; em percursos mais longos, o motor térmico entra em ação para garantir continuidade sem dependência da infraestrutura de carregamento.
É, na prática, uma solução técnica que elimina uma das principais barreiras à eletrificação total.

Apesar das diferenças de abordagem, ambos os modelos partilham uma base comum no que diz respeito à segurança e à engenharia estrutural, com cinco estrelas atribuídas pela Euro NCAP, o que implica não só uma estrutura sólida, mas também um conjunto completo de sistemas de assistência à condução e proteção ativa.
A isto junta-se o facto de a Geely apostar em plataformas e desenvolvimento próprios, permitindo um maior controlo sobre a integração entre componentes mecânicos, elétricos e digitais, um detalhe que, cada vez mais, faz a diferença na experiência de utilização.

No fundo, aquilo que estes dados técnicos revelam é uma estratégia clara e pouco dogmática. O E5 aposta na simplicidade e na robustez de um elétrico puro com autonomia suficiente e tecnologia bem doseada. O Starray EM-i oferece uma solução híbrida que privilegia a versatilidade e a eficiência em qualquer contexto.
Duas abordagens diferentes, sustentadas por números concretos, que mostram que a eletrificação não tem de seguir um único caminho, desde que a engenharia esteja alinhada com aquilo que o utilizador realmente precisa.
Artigo por Rui Reis


