Apartamentos compactos já representam mais de 22% da procura no mercado imobiliário.
Os apartamentos compactos estão a ganhar cada vez mais protagonismo no mercado imobiliário português. De acordo com dados do Imovirtual, a procura por apartamentos compactos — T0 e T1 — cresceu 30% num ano, passando de 17,19% para 22,34% do total de pesquisas na plataforma, numa análise que compara os dois últimos períodos de inverno (dezembro a fevereiro). Atualmente, mais de um em cada cinco interessados em comprar casa procura este tipo de tipologia, refletindo mudanças estruturais na forma como as pessoas vivem e escolhem habitação.
Dentro deste segmento, os T0 são a tipologia que mais cresce, com um aumento de 50,7% nas pesquisas. Já os T1 registaram uma subida de 27,1%, confirmando que os apartamentos de menor dimensão estão a ganhar protagonismo no mercado. A tendência sugere uma transformação progressiva nas preferências habitacionais, impulsionada por estilos de vida mais flexíveis, maior mobilidade profissional e pela necessidade de encontrar soluções habitacionais mais acessíveis.
Do lado da oferta, o mercado começa a adaptar-se, mas ainda a um ritmo mais lento. O peso dos anúncios de T1 aumentou de 2,15% para 2,57%, sinalizando uma maior presença deste tipo de imóveis na oferta disponível. Ainda assim, a oferta de apartamentos compactos continua bastante reduzida, representando menos de 3% do total de imóveis anunciados, o que evidencia um desfasamento entre a procura e a disponibilidade deste tipo de tipologias no mercado.
A valorização dos T1 acompanha esta tendência. O preço médio passou de 220.000 euros para 240.000 euros entre o inverno de 2024/25 e o inverno de 2025/26, representando uma subida de 9,1%. Apesar desta valorização, os T1 mantêm-se como uma das principais portas de entrada no mercado de compra: em média, continuam100.000 euros mais baratos do que os T2, o que representa uma diferença de cerca de 42%.
A evolução não é homogénea em todo o território. Algumas regiões destacam-se pela valorização mais expressiva deste tipo de imóveis. Na Madeira, o preço médio dos T1 subiu 43,5%, atingindo cerca de 330.000 euros. No distrito de Faro, a valorização foi de 40,5%, com os preços a situarem-se em torno dos 295.000 euros. Já em Lisboa, um dos mercados mais pressionados do país, os T1 registaram uma subida de 15,2%, alcançando um preço médio de 357.000 euros.
Para Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, “o crescimento da procura por apartamentos compactos reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário. Cada vez mais pessoas privilegiam localização, mobilidade e acessibilidade financeira em detrimento de áreas maiores. Os T1 e T0 estão a afirmar-se como uma porta de entrada cada vez mais relevante para a compra de casa. Ao mesmo tempo, medidas recentes que procuram estimular o acesso dos jovens à habitação poderão também estar a contribuir para este aumento da procura por tipologias mais compactas. Ainda assim, a oferta disponível continua bastante limitada face ao nível de procura.”
Vários fatores ajudam a explicar esta tendência. A transformação demográfica nas cidades, com mais pessoas a viver sozinhas ou em casal sem filhos, tem vindo a alterar o perfil da procura. Ao mesmo tempo, a pressão sobre os rendimentos e o aumento dos preços da habitação levam muitos compradores a procurar tipologias mais compactas como primeira solução de compra.
A crescente procura por T0 e T1 evidencia assim uma mudança mais profunda no mercado residencial português. Mais do que uma tendência pontual, a ascensão dos apartamentos compactos reflete novas prioridades urbanas, onde a localização, a flexibilidade e a eficiência do espaço ganham protagonismo na decisão de compra.
