
O Eurobarómetro do Parlamento Europeu mostra que Portugal é o país onde mais pessoas dizem estar “muito preocupadas” com catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas, com 91%, acima da média europeia de 66%.
Há números que não precisam de grandes leituras para serem entendidos. Um deles está no mais recente Eurobarómetro do Parlamento Europeu, publicado esta semana: em Portugal, 91% dos inquiridos dizem estar “muito preocupados” com catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas. É o valor mais elevado entre os Estados-Membros, e contrasta com a média europeia de 66%.
O dado revela, assim, que o risco climático já entrou no radar das pessoas como uma ameaça concreta.
A mesma sondagem mostra que, para muitos portugueses, a energia já não é um tema separado da crise climática. Quando 64% dizem estar “muito preocupados” com a dependência da União Europeia de países terceiros para o abastecimento energético, o que está em causa não é apenas geopolítica ou preço da eletricidade. É também a perceção de que a resposta às alterações climáticas passa por reduzir vulnerabilidades, e uma das maiores vulnerabilidades europeias continua a ser a dependência de energia importada.
Neste contexto, a aposta em renováveis ganha um duplo significado. Não é apenas uma estratégia de descarbonização e proteção ambiental, é também uma ferramenta de autonomia e segurança. Ao reforçar a produção interna através de fontes como a solar e a eólica, a União Europeia reduz emissões, mas também reduz exposição a choques externos, instabilidade internacional e oscilações de preço. E é precisamente essa convergência, entre clima e independência energética, que começa a aparecer com mais clareza nas prioridades apontadas pelos cidadãos.
O inquérito indica também um anseio claro por respostas políticas: em Portugal, 96% defendem que os Estados-Membros devem estar mais unidos para enfrentar ameaças globais e 94% consideram que a UE devia ter um papel mais ativo.
