
56% dos inquiridos já testemunhou casos de cyberbullying e 18% afirma já ter sido vítima
Atualmente, a Internet faz parte do quotidiano da maioria dos portugueses, 79% utilizam-na várias vezes por dia, sobretudo para redes sociais (82%), entretenimento – como vídeo-jogos (73%) e acesso à informação (72%). Contudo, esta utilização intensiva aumenta também a exposição a comportamentos abusivos no ambiente digital.
De acordo com o estudo, 93% dos inquiridos já ouviu falar de cyberbullying e reconhece mesmo a relevância do tema. No entanto, o problema continua presente e com consequências reais. 50% consideram-no um problema muito sério e 45% algo sério em Portugal. Mais de metade dos entrevistados (56%) já testemunhou situações de cyberbullying e 18% admite também já ter sido vítima.
Entre as situações mais frequentes, hoje em dia, destacam-se comentários ofensivos (83%), partilha de conteúdos sem consentimento (41%), ameaças (38%) e humilhação pública (32%). Ainda assim, continua a existir uma tendência para a desvalorização deste tema, o que dificulta a sua prevenção e combate.
Apesar de 76% dos utilizadores se considerarem informados relativamente à segurança online, existe ainda um desfasamento entre conhecimento e ação. Em situações de cyberbullying, 10% admite não saber como reagir e 5% opta por ignorar o problema. Embora muitos consumidores utilizem diversas ferramentas de proteção digital, como bloquear utilizadores (68%), controlar o acesso a dados pessoais (58%), denunciar conteúdos (53%) e manter os perfis privados (44%), a sua utilização continua a ser inconsistente.
Para os inquiridos, a prevenção deve começar nos comportamentos individuais e na promoção de uma utilização mais responsável da Internet. Controlar a privacidade dos conteúdos, evitar a partilha de informação sensível e adotar uma postura respeitosa no ambiente digital são atitudes que podem reduzir significativamente os riscos. Mais do que depender apenas de ferramentas, 81% considera muito importante desenvolver uma verdadeira consciência digital.
O estudo evidencia também falhas ao nível da formação e da informação disponível. Apenas 38% dos entrevistados recebeu formação sobre segurança online e 61% considera que falta informação sobre como agir em situações de cyberbullying. A percepção de responsabilidade é vista ainda como partilhada entre vários agentes da sociedade, com destaque para a família (72%) e a escola (62%), mas também para as empresas tecnológicas (36%), o Estado (31%) e os próprios utilizadores (22%).
Para além disso, 84% afirma que a informação atualmente disponível sobre como agir em casos de cyberbullying não é suficientemente explícita. Nesse sentido, entre as principais medidasapontadas pelos consumidores estão a criação de ferramentas mais eficazes nas plataformas digitais (64%), mais campanhas de sensibilização (58%), maior investimento em formação (54%) e mais apoio psicológico às vítimas (53%).
No geral, para 62% dos portugueses o cyberbullying continua a ser desvalorizado em Portugal, enquanto 31% refere que é parcialmente desvalorizado. A maior parte defende mais educação sobre o tema, sobretudo nas escolas (88%) e nos meios de comunicação social (67%).
Por fim, este estudo relativo à importância de uma utilização responsável da Internet indica que o impacto do cyberbullying é considerado profundo e transversal. A ansiedade e depressão (92%), o isolamento social (81%), problemas de autoestima (81%) e o impacto no desempenho escolar ou profissional (67%) surgem entre as consequências mais mencionadas.
