Ao mesmo tempo que semeia conflitos em variadas partes do mundo, Donald Trum, presidente norte-americano, afasta-se cada vez mais a Ucrânia e os seus parceiros da NATO, processo que empurra Putin para uma política cada vez mais imperialista e expansionista.
Desde a chegada ao poder em Washington que Trump não se cansa ceder a Putin. Os últimos “grandes prémios” atribuídos pelo desequilibrado dirigente americano ao ditador russo acabaram de acontecer.
A Casa Branca autorizou a entrada de um petroleiro russo em Cuba, alegando tratar-se de uma “acção humanitária”. Mas o Kremlin apressou-se a apresentar esse facto como uma estrondosa vitória russa. A agência noticiosa oficial da Rússia: a Ria-Novosti, cita a imprensa cubana: “A sua chegada desafia abertamente o bloqueio unilateral imposto pelo governo dos EUA. A chegada do petroleiro é estrategicamente importante para reverter as consequências da tentativa de estrangulamento energético do país por Washington”.
Além disso, no artigo publicado pela citada agência, lê-se que a Rússia foi a única a ir em ajuda dos cubanos: “A China envia arroz e algum dinheiro. Voluntários do México equipam pequenos iates e carregam-nos com comida para bebês, farinha e medicamentos. Mas tudo isso é, claro, uma gota no oceano. Isso não resolve o principal problema de Cuba: a grave crise energética orquestrada pelos americanos”.
Segundo os órgãos de informação americanos, continua a propaganda russa, interpretou essa declaração como “Os EUA deram permissão à Rússia para fazer algo”, “mas isso é, obviamente, apenas conversa fiada. Ninguém deu permissão a ninguém para fazer nada — é a mesma velha retórica tranquilizadora para consumo interno, como “O Irão já está derrotado”. É simplesmente uma tentativa de encobrir uma situação má, um bálsamo para o orgulho ferido da antiga potência hegemónica”.
E a conclusão é a expectável: “A Rússia não abandona os seus”
Outro “grande prémio” foi o levantamento de sanções norte-americanas contra três navios porta-contadores russos.
Duas embarcações foram adicionadas à lista de sanções dois dias antes do início da “operação militar especial”, em 2022. Então, os Estados Unidos alegaram que a medida foi uma resposta ao reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. A terceira embarcação foi sancionada posteriormente, em abril.
E quem paga é a Ucrânia e a Europa
Estas medidas são acompanhadas de ameaças à NATO e à Ucrânia por parte de Trump.
O futuro da NATO é uma grande incógnita, o que pode levar Putin a continuar a sua política expansionista na Europa, principalmente na região do Mar Báltico. Mesmo que os Estados Unidos abandonem a Aliança Atlântica, a Europa será mais forte do que a Rússia no campo dos armamentos convencionais. Porém, Moscovo tem forte vantagem se falamos de armas nucleares estratégicas e os dirigentes russos não excluem a possibilidade de as empregar. Pretextos não faltarão para dar início a um grande conflito entre a Rússia e a Europa: quedas de drones, apreensão de navios da frota petrolífera russa por países europeus, sanções. No Kremlin, ameaçam com “medidas apropriadas” os países da NATO, caso se confirme que drones ucranianos estão a ser lançados a partir de lá.
“Bem, certamente, consideramos que, se houver a concessão de espaço aéreo para a realização de atividades terroristas hostis contra a Rússia, isso obrigar-nos-á a tirar as conclusões apropriadas e a tomar as medidas apropriadas. A situação está a ser analisada pelos nossos militares, que a acompanham atentamente, analisam e apresentam propostas que depois são consideradas”, afirmou o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov.
Claro que é difícil acreditar que Vladimir Putin se meta numa nova aventura antes do fim da guerra na Ucrânia, mas as tropas dos países europeus devem preparar-se para o pior.
Nos últimos anos, na Europa tem dominado a ideia de que lhe seria vantajoso prolongar a guerra na Ucrânia, uma vez que, no caso da sua conclusão, a Rússia lançaria imediatamente as suas tropas para um ataque à União Europeia. Porém, a realidade mostra que o verdadeiro perigo poderá estar no seu prolongamento.
A Europa é, de facto, o principal aliado de Kiev, o seu principal doador financeiro, a sua base industrial, fornecendo o potencial de resistência do país. Ao mesmo tempo, os europeus estão a desferir vários golpes contra a Rússia: impondo sanções, interceptando navios da frota fantasma, fornecendo coordenadas para ataques das Forças Armadas da Ucrânia à Rússia com os seus mísseis de longo alcance.
E se, a dada altura, Moscovo considerar que estas acções começam a dificultar demasiado a realização das suas tarefas militares na Ucrânia e a colocá-la à beira da derrota, poderá entrar em conflito direto com a Europa, considerando as ameaças que esta lhe coloca como existenciais para si mesma.
Por enquanto, é difícil acreditar que a guerra na Ucrânia esteja perto do fim. Putin insiste na retirada das tropas ucranianas do Donbass e os Estados Unidos juntam-se a ele nesta exigência, mas o Presidente Zelensky não tenciona ceder território ucraniano. Segundo o dirigente da Ucrânia, o Kremlin ameaça aumentar as suas exigências se os ucranianos não saírem do Donbass durante os próximos dois meses e prepara novas ofensivas.
Para desgraça dos ucranianos, além do possível corte de apoio por parte dos Estados, a União Europeu não está em condições de oferecer à Ucrânia uma ajuda que possa garantir a vitória sobre a Rússia.
P.S. O mundo encontra-se num dos momentos mais dramáticos e perigosos da sua história e, para piorar ainda mais, os maiores países são governados por dirigentes loucos e incompetentes ou por ditadores sanguíneos. Venha o diabo e escolha entre eles.
