
A ineficiência energética nas habitações portuguesas é um problema que se traduz em desconforto térmico, contas da energia mais elevadas e maior impacto ambiental, num país com um dos parques habitacionais mais envelhecidos da Europa.
A Soprema, empresa especializada em impermeabilização de coberturas, isolamento térmico e acústico, reabilitação de edifícios e soluções sustentáveis para a construção, chama a atenção para um problema silencioso que afeta milhares de casas em Portugal. A maioria dos edifícios foi construída antes da existência de regras eficazes de isolamento térmico, o que ajuda a explicar porque tantas famílias vivem entre o frio persistente no inverno, o calor excessivo no verão e faturas energéticas difíceis de suportar.
Um dos sinais mais evidentes de desperdício energético surge quando a casa nunca aquece no inverno nem se mantém fresca nos meses quentes. Nestes casos, a causa está quase sempre na ausência ou insuficiência de isolamento térmico em paredes, coberturas e pavimentos, explica a Soprema. Sem essa barreira, o calor entra ou sai com facilidade, tornando praticamente impossível manter uma temperatura interior estável.
As faturas de energia desproporcionais ao tamanho da habitação e aos hábitos de consumo são outro indicador frequente. Quando o isolamento é deficiente, os sistemas de aquecimento ou arrefecimento trabalham mais tempo e com maior intensidade. Estudos do setor indicam que um isolamento térmico adequado pode reduzir os custos de climatização entre 25% e 40%, o que, ao longo de um ano, representa poupanças significativas.
Portas e janelas antigas, com fraca vedação ou vidro simples, também contribuem de forma decisiva para as perdas energéticas. Estima-se que possam ser responsáveis por até 25% do desperdício de energia numa casa. Além do desconforto térmico, estas falhas deixam entrar ruído exterior e obrigam a um maior consumo energético para manter condições mínimas no interior.
A presença recorrente de humidade, condensação nas janelas ou bolores nas paredes é outro sinal de alerta. Estes fenómenos estão normalmente associados a pontes térmicas e isolamento deficiente, agravados por ventilação inadequada. Para além de afetarem a durabilidade do edifício, têm impacto direto na qualidade do ar interior e na saúde de quem lá vive.
Quando o conforto térmico depende quase exclusivamente de aquecedores elétricos, salamandras ou outros aparelhos portáteis, a habitação está a falhar na sua função básica. Esta dependência aumenta o consumo energético e agrava a pobreza energética, que afeta cerca de 21% da população portuguesa, incapaz de manter a casa devidamente aquecida.
O contexto económico torna o problema ainda mais pesado. Portugal está entre os países europeus onde a eletricidade é mais cara para os consumidores domésticos, ocupando o 10.º lugar entre os 27 Estados-membros da União Europeia, segundo dados do Eurostat (Gabinete Estatístico da União Europeia). Quando este custo é cruzado com o rendimento médio das famílias, o impacto no orçamento mensal torna-se particularmente significativo.
Segundo Miguel Maia, diretor técnico da Soprema, “grande parte das habitações em Portugal continua a perder energia de forma silenciosa e constante. Sempre que uma casa não tem isolamento adequado, está a consumir mais, a emitir mais CO₂ (dióxido de carbono) e a penalizar diretamente o conforto e o orçamento das famílias. A eficiência energética deixou de ser uma opção técnica, é hoje uma urgência económica, social e ambiental”.
Existem atualmente apoios públicos destinados a reduzir o esforço financeiro associado à reabilitação energética. O PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), através de instrumentos como o Vale Eficiência, bem como outros programas de apoio à reabilitação e ao combate à pobreza energética, disponibiliza verbas para intervenções como isolamento térmico, substituição de janelas ou melhoria do conforto interior. Recentemente, foi lançado um novo programa que reforça estas possibilidades de financiamento.
Estas medidas enquadram-se numa estratégia europeia mais ampla, definida pela EPBD (Diretiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios) e pela iniciativa Renovation Wave, que estabelecem metas para a redução dos consumos e a transição para edifícios de consumo quase nulo, designados por NZE (near zero energy). Para quem vive numa casa fria no inverno e excessivamente quente no verão, a mensagem é simples. Melhorar a eficiência energética não é apenas uma resposta ao aumento dos custos da energia, é uma oportunidade concreta para ganhar conforto, reduzir a fatura e valorizar a habitação.
