
O Zeekr 9X mede 5,24 metros de comprimento, tem seis lugares e pesa perto de três toneladas. A enorme grelha vertical, o capot elevado e as proporções monumentais tornam inevitável a comparação com o Rolls-Royce Cullinan, embora o novo SUV da Zeekr parta de uma ideia bastante diferente de luxo.
Desenvolvido e desenhado em Gotemburgo, na Suécia, o 9X é o primeiro modelo da marca equipado com o sistema Zeekr Super Hybrid. Combina dois motores elétricos, um em cada eixo, com um motor turbo a gasolina de 2,0 litros e quatro cilindros. A potência total chega aos 897 cv, acompanhada por 935 Nm de binário e tração integral.
Apesar das dimensões e do peso, acelera dos 0 aos 100 km/h em 4,1 segundos e atinge uma velocidade máxima de 240 km/h. Números impressionantes, embora num SUV desta natureza seja mais importante perceber como a suspensão controla toda esta massa e de que forma protege os passageiros das irregularidades da estrada.
Para isso, o 9X recorre a uma suspensão pneumática de duas câmaras, combinada com amortecedores de controlo contínuo. O sistema pode variar a altura ao solo e adaptar o comportamento do automóvel às condições da estrada ou ao modo de condução selecionado.
O objetivo não é transformar um SUV de seis lugares num desportivo, mas oferecer reservas de potência abundantes sem comprometer o silêncio, a suavidade e o isolamento exigidos neste segmento.
O 9X deverá chegar a Portugal no início de 2027. O preço ainda não foi anunciado.

O melhor lugar fica atrás
O habitáculo está organizado em três filas, numa configuração 2+2+2. Os dois bancos individuais da segunda fila são claramente os lugares mais desejados, com regulações elétricas, aquecimento, ventilação, massagem e apoios extensíveis para as pernas.
Com um simples comando, os bancos reclinam, os apoios avançam e as cortinas laterais fecham-se. O resultado é um espaço pensado para quem prefere ser conduzido, próximo do ambiente de uma cabine privada.
Entre os dois bancos encontra-se uma consola central com um pequeno ecrã OLED amovível, utilizado para controlar diferentes funções de conforto e entretenimento. Existe também um compartimento refrigerado com 8,6 litros de capacidade.
Os bancos dianteiros recebem igualmente aquecimento, ventilação e massagem, enquanto o acesso à terceira fila é facilitado pelo movimento elétrico dos lugares centrais. Os dois últimos bancos não parecem ter sido incluídos apenas para completar a ficha técnica, beneficiando da generosa distância entre eixos de 3,17 metros.
O entretenimento fica entregue a um ecrã OLED de 17 polegadas, instalado no tejadilho, e a um sistema áudio Naim com 32 altifalantes e 3868 W de potência anunciada. A intenção não é apenas aumentar o volume, mas criar uma experiência sonora envolvente e reduzir a perceção do ruído exterior.
Na frente, o condutor encontra um painel de instrumentos de 13 polegadas, um head-up display de realidade aumentada com uma área equivalente a 47 polegadas e dois ecrãs OLED de 16 polegadas com resolução 3,5K.
É um habitáculo muito dependente de superfícies digitais, embora o comando rotativo em cristal instalado na consola central introduza um elemento físico num ambiente em que quase tudo parece ser controlado através dos ecrãs.

Sem medo das dimensões
Com 2,03 metros de largura e 1,82 metros de altura, o Zeekr 9X não tenta parecer mais pequeno do que realmente é. A carroçaria assume a sua volumetria, usando linhas relativamente limpas para evitar que o conjunto se torne demasiado pesado.
A marca refere a inspiração nos iates de luxo, visível sobretudo na linha do tejadilho e na forma como as superfícies se prolongam até à traseira. Na frente, a assinatura luminosa digital é composta por 1,3 milhões de píxeis, enquanto atrás uma barra muito fina atravessa toda a largura da carroçaria.
As jantes de 22 polegadas parecem quase proporcionais neste contexto. Num automóvel mais pequeno seriam excessivas; no 9X ajudam a equilibrar visualmente uma carroçaria de dimensões pouco habituais nas estradas europeias.
A comparação com o Cullinan nasce sobretudo desta presença. O Zeekr não tem a elegância clássica nem a história da Rolls-Royce, mas procura chegar a um resultado semelhante através de outros meios: tecnologia, espaço, equipamento e uma forte preocupação com a experiência dos passageiros.

Elétrico durante a semana
A bateria tem 55,1 kWh de capacidade bruta, mais do que encontramos em vários automóveis totalmente elétricos de utilização urbana. A arquitetura de 900 V permite carregamentos em corrente contínua até 330 kW.
Em condições ideais, a bateria pode passar dos 10 aos 80% em cerca de 9,5 minutos. Em corrente alternada, o carregador de bordo admite uma potência de 11 kW.
A autonomia elétrica anunciada pode chegar aos 179 quilómetros, enquanto o alcance combinado sobe até aos 737 quilómetros. A utilização diária poderá, por isso, ser feita maioritariamente em modo elétrico, deixando o motor a gasolina como apoio para as viagens mais longas.
Não se trata de um híbrido convencional. A dimensão da bateria e o protagonismo dos motores elétricos colocam o 9X mais próximo de um elétrico com um motor térmico de apoio do que de um automóvel a gasolina com assistência elétrica.
Os valores de autonomia, carregamento, consumo e emissões ainda são preliminares e ficam dependentes da homologação europeia.
Artigo por Rui Reis
